Tribunal fajuto, com juízes a soldo da potência invasora, condenou à morte Saddam Hussein, mandando que seja enforcado. Saddam, a quem Estados Unidos e Inglaterra acusaram, sem provas, possuir armamento de destruição em massa, irá à forca pelo alegado assassinato de centenas de opositores ao regime comandado pelo partido Baath. As mesmas potências o acusam de matar 50 mil curdos! Mas não apresentam provas materiais, uma vez que não haveria como esconder 50 mil ossadas.
O julgamento de Saddam aconteceu às vésperas da eleição norte-americana, onde, apesar das manobras e fraudes republicanas, não foi possível a Bush impedir a vitória democrata na Câmara e no Senado.
E o que o povo norte-americano avaliou nessa eleição? Avaliou e julgou a invasão do Iraque, os gastos astronômicos com a máquina mortífera dos invasores e, principalmente, a morte inútil de milhares de soldados. A exemplo do ocorrido quando da guerra contra o Vietnã, o norte-americano já percebeu que foi enganado pelo seu governo, que a guerra é insana e que o verdadeiro terrorismo está sendo praticado pelos invasores.
O Iraque é um país privilegiado naquela região: tem petróleo, tem água, tem território. Seus recursos naturais atiçam a cobiça das potências, que não contavam com a impressionante resistência do povo iraquiano.
A guerra do Iraque (assim como a invasão do Afeganistão) é um banho de sangue, um crime de lesa-humanidade, onde os invasores rasgam as convenções internacionais, espalhando sofrimento e dor, vitimando civis, muitos dos quais velhos e crianças indefesas.
O comandante desse massacre tem nome: é George W. Bush, presidente da potência hegemônica, que já possui 250 bases armadas em todo o planeta. É ele, na realidade, o grande criminoso. É ele quem deve ser julgado e condenado por invadir países, avassalar culturas, matar civis, destruir economias, envenenar o ar e os mananciais, saquear nações, assaltar recursos naturais.
É justo que Saddam pague pelo que fez de errado, mas num tribunal autônomo. A pena de morte é um atentado à civilização e depõe contra o direito. George W. Bush, que manipula tribunais e encomenda penas, merece a mais dura condenação. Os canalhas devem ser tirados de circulação, mas com vida, para que possam vivenciar plenamente a própria decadência e sentir, minuto a minuto, o gosto amargo do desprezo.
O autor, João Franzin, é jornalista e assessor sindical