O secretário Municipal das Administrações Regionais (Sear), Nélson Fio, afirmou ontem que não acredita na existência de notas fiscais frias na realização de despesas de conserto, compra de equipamentos e manutenção na pasta em sua gestão, iniciada em 2005. Apesar disso, o Gabinete do prefeito está com equipamentos apreendidos para averiguar se procedem denúncias de que algumas despesas teriam sido realizadas por empresas diferentes do que consta nos documentos.
Mas uma auditoria interna também rastreia notas fiscais e confronta as informações com cheques emitidos pela Sear, desde janeiro de 2005, para apurar as denúncias, levadas ao prefeito Tuga Angerami (sem partido) de forma anônima há cerca de três meses. Ontem, o JC revelou a existência da auditoria e de sindicância interna em andamento.
“Quando chegaram esses casos, abriu para apurar. A situação da frota estava difícil em 2005 e achei melhor agilizar o serviço porque a oficina da prefeitura não tem estrutura para atender a frota”, disse o secretário ao ser indagado sobre a terceirização de consertos de veículos. Segundo Fio, os consertos foram realizados.
Sobre a terceirização também de manutenção de computadores pela Sear, fato que confronta com a medida adotada pelo atual governo de realizar a manutenção pelo departamento interno exatamente para evitar essas despesas, Nelson Fio justfica que “eram pequenos consertos, feitos com verba de adiantamento e três orçamentos”. Ele disse que não tem conhecimento de que as notas fiscais apontam para uma empresa, enquanto que em pelo menos um computador já apreendido para sindicância o selo da prestadora é de outro nome. “Estão averiguando isso, mas eu não acredito em nota fria para esse tipo de coisa”, falou.
Sobre o incêndio de uma perua Kombi, cujo andamento do processo ainda estaria indefinido, o secretário também argumentou que “foram tomadas as providências, tem boletim de ocorrência e a sindicância terminou. Foi feito tudo que a lei exige”, sem explicar as motivações para esta denúncia.
Sobre a eventual compra de uniformes, com possível ocorrência também de diferença entre o fornecedor e o documento fiscal, Nelson Fio disse que a única aquisição foi realizada em 2005. “Foram 80 uniformes, para o pessoal do bloquete. 65 eram para a mão-de-obra e 15, diferentes, para encarregados. Tinha três orçamentos e foi feito por empenho e não por adiantamento e a Marijós confeccionou. Não sei da presença da empresa Santernense nesse caso, vou ver”, comentou.