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Confronto entre PMs, guardas civis e camelôs deixa 10 feridos no Brás

Por Ricardo Gallo, Mariana Tamari e Krishna Monteiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Um confronto de camelôs com policiais militares (PMs) e guardas civis metropolitanos (GCMs) causou tumulto, obrigou comerciantes a fechar as lojas e interditou o trânsito da rua Oriente, no Brás (centro de São Paulo) entre a madrugada e a manhã de ontem.

A rua é um dos mais importantes centros comerciais de varejo da cidade. Um caminhão foi incendiado por camelôs, que depredaram ainda um ônibus e viraram uma Kombi. Pelo menos dez pessoas, entre agentes de segurança e ambulantes, se feriram, nenhum em estado grave. Dois camelôs foram detidos por desacato, mas liberados à tarde.

A confusão ocorreu durante uma operação de retirada dos 3 mil ambulantes da chamada feira da madrugada, que ocupa todos os dias a rua Oriente e suas principais travessas até as 6h. Segundo a prefeitura, a feira é ilegal e comercializa produtos contrabandeados e piratas. Comandada pela Subprefeitura da Mooca e apoiada por cerca de 70 homens da PM e 75 da GCM, a operação começou à 0h. Equipes da prefeitura e da GCM impediam os camelôs de montar as barracas. Houve resistência dos ambulantes, que pedem à prefeitura a legalização da feira - a subprefeitura afirma que isso não vai ocorrer. Mas os camelôs dizem não aceitar a determinação. “Vamos montar a feira. Amanhã às 2h estaremos no mesmo local”, diz Afonso José da Silva, presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de SP.

Segundo Andrea Matarazzo, secretário da Coordenação das Subprefeituras, não há como legalizar a feira, pois, diz ele, os produtos ali vendidos são ilegais. “O comércio deve ser feito de maneira legalizada e formal. Somente os ambulantes que têm autorização podem vender produtos. O resto não pode, muito menos pirataria, contrabando ou carga roubada.” Ele não quis receber os ambulantes, que pediam uma reunião, e falou apenas com o vereador Cláudio Prado (PDT), que apresentou as reivindicações dos camelôs.

Confusão

O confronto começou por volta das 3h, quando, segundo a PM e a GCM, os ambulantes se agruparam e tentaram enfrentar as forças de segurança. O estopim foi um rojão solto por camelôs na direção dos policiais. Os agentes da GCM reagiram com cassetetes, enquanto, armados e com escudos e capacetes, os policiais militares bloquearam as travessas da rua Oriente, contendo os manifestantes. A situação só foi normalizada por volta das 10h.

A PM chegou a usar bombas de efeito moral e granadas de luz _uma delas explodiu na mão de um policial, que sofreu queimaduras nos braços e no pescoço. Ele passa bem. Ambulantes mostravam à reportagem agressões nos braços e criticavam a violência de guardas e policiais.

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