Rural

Pesquisador do IEA prefere referir-se a localidades de ‘baixa produtividade’

Por Alceu Castilho | Correspondente do JC em Brasília
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo tem entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de hectares de pastagens degradadas, confirma o pesquisador José Sidney Gonçalves, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Muito embora ele prefira o termo “pastagens de baixa produtividade”, por conta das intepretações negativas que ambientalistas e sem-terra possam fazer.

Essas áreas, segundo ele, ficam no oeste paulista, no Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e Alto Paranapanema. Mas no caso das três últimas regiões ele não acredita na integração lavoura-pecuária, a tecnologia apontada pelo ex-ministro Alysson Paolinelli como capaz de recuperar as pastagens. “Por causa da topografia, das condições ruins de clima e de solo”, afirma.

Em 1,5 milhão de hectares, essas áreas não recuperáveis totalizariam cerca de 800 mil hectares. E no caso das demais, diz o pesquisador, a tecnologia já vem sendo utilizada. “Nas regiões administrativas de Presidente Prudente e Araçatuba, onde há pecuária dinâmica, a integração pecuária-lavoura é uma realidade, diz.

Gonçalves diz que a pecuária paulista perdeu nos últimos anos 1,5 milhão de hectares de pastos, mas o rebanho aumentou de 10 milhões para 14 milhões. “Não há uma situação crônica de pastagens de baixa produtividade”, afirma. “Em São Paulo há competição elevada por área, pois não há mais fronteira agrícola. A integração lavoura-pecuária é fundamental, principalmente no extremo oeste.”

Ele prefere falar de “áreas de baixa produtividade” por conta das prováveis reivindicações de ambientalistas e sem-terra ao se falar de “áreas degradadas”. “Eles têm razão no que se refere à ocupação do solo, mas têm de entender que a sustentabilidade se dá pelo todo, não pela parte. Falar que está tudo errado é complicado”.

Segundo Gonçalves, houve avanços recentes no Brasil e em São Paulo na questão da sustentabilidade. “O setor canavieiro está eliminando progressivamente a queima e está produzindo energia com o bagaço”.

Biodiesel

Em relação ao biodiesel, o pesquisador não acredita no sucesso de uma produção em São Paulo caso não haja uma “coordenação vertical”, como ocorre no caso da cana-de-açúcar. “Não se pode jogar uma sociedade inteira numa relação frágil de cadeia produtiva”, argumenta. “O Estado pode ter uma indústria de biodiesel, essa é uma medida relevante, mas ainda não há nada colocado em termos de cadeia de produção, portanto não sabemos como isso vai se dar na prática.

A área total de pastagens no Estado é de 10,5 milhões, segundo Gonçalves, doutorado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em uma área agropecuária de 22 milhões de hectares – mesmo número desde 1975. Nos 9 milhões de hectares de pastagens mais aproveitadas está toda a produção de carne bovina, ovinos, caprinos e pecuária de leite, além dos cavalos.

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