Tel Aviv - O premiê de Israel, Ehud Olmert, afirmou ontem que o ataque israelense que matou 18 civis anteontem em Beit Hanoun (Faixa de Gaza) foi causado por uma “falha técnica”. Olmert solicitou uma reunião imediata com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. “Ele ficará surpreso com o quão longe estamos dispostos a ir. Posso oferecer muito”, disse Olmert, sem no entanto dar detalhes sobre uma possível negociação.
Durante uma entrevista para uma rede de TV, o premiê expressou arrependimento pelo derramamento de sangue. “Estou muito desconfortável com o incidente.”
Ele disse que iria investigar pessoalmente as causas do ataque em Beit Hanoun, lançado pouco antes do amanhecer. “Este caso particular foi um erro. Não foi um ataque planejado”, afirmou Olmert. “Foi uma falha técnica da artilharia israelense, Eu chequei e verifiquei isso.”
Apesar das desculpas oferecidas pelo ataque de anteontem, Israel informou que pretende continuar suas operações militares na Faixa de Gaza enquanto persistirem os ataques com foguetes palestinos. Olmert afirmou que Israel fará o possível para evitar erros, mas advertiu que novas tragédias pode acontecer. O premiê disse que o ataque de artilharia visava atingir uma plantação de laranjas usada por esquadrões para lançar foguetes contra Israel.
Olmert disse ainda que está preparado para se reunir com Abbas “em qualquer lugar, a qualquer hora”, e que é o presidente da ANP que evitou um encontro até agora. Por sua vez, Abbas disse que está pronto para negociar com Olmert, mas quer garantias de as negociações alcançarão resultados concretos.
A população da Cisjordânia e da Faixa de Gaza viveu ontem um dia de luto após a morte de 26 palestinos em ataques israelenses - entre eles 18 civis, a maioria mulheres e crianças, que morreram em Beit Hanoun. Dezenas de milhares de palestinos participaram ontem em Gaza do funeral das 18 vítimas, em meio ao sentimento de luto, indignação e pedidos de vingança. Segundo testemunhas, trata-se de um dos maiores funerais na Faixa de Gaza neste ano, e o maior massacre de civis desde o início da Intifada de 2000.
O ataque ocorreu na madrugada de anteontem, quando casas foram atingidas por ao menos dois projéteis israelenses enquanto os moradores dormiam. A ANP decretou três dias de luto, e o presidente Mahmoud Abbas responsabilizou Israel pelo que possa ocorrer a partir de agora.
Desde o ataque, grupos extremistas palestinos lançaram mais de 20 foguetes contra Israel, em uma mostra de indignação e sede de vingança, que deve aumentar a tensão nos próximos dias. As reações de protesto devido às conseqüências do bombardeio também se estenderam a várias regiões de Israel, onde a comunidade palestina, formada por 1 milhão de habitantes, saiu às ruas para mostrar sua indignação.
A polícia de Jerusalém anunciou a prisão de 11 pessoas envolvidas em distúrbios na cidade velha, onde cerca de 200 jovens marcharam da Esplanada das Mesquitas até a delegacia de polícia em frente ao Muro das Lamentações. Outras 200 mulheres se reuniram para manifestar do lado de fora da cidade, e um terceiro grupo também se reuniu no Portão das Flores. A polícia, que não tinha autorizado nenhuma destas manifestações, lançou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.
Parada gay “limitada”
A comunidade judia ultra-ortodoxa, que se opôs com veemência à celebração de uma parada do orgulho gay pelas ruas de Jerusalém, acabou ontem aceitando um ato de características mais modestas e dentro de um circuito fechado.
O compromisso foi anunciado pela assessoria de imprensa do governo, horas antes da hora prevista para o ato que finalmente se celebrará hoje, no estádio do Campus de Guivat Ram, da Universidade Judia de Jerusalém. Com isso, ficam invalidados três recursos apresentados por grupos ortodoxos ante ao Tribunal Supremo, sem que tenha sido necessário uma disputa judicial.
Pouco depois do anúncio, rabinos ultra-ortodoxos começaram a distribuir panfletos pelos bairros de Jerusalém habitados por sua comunidade pedindo que seus seguidores tenham calma. Sserão 3 mil os policiais que protegerão o ato da comunidade gay, lésbica e transexual de Jerusalém.