Washington - A vitória democrata nas eleições parlamentares de terça-feira nos EUA animou os ativistas latino-americanos, que esperam a aprovação de uma abrangente reforma imigratória, bloqueada pelos republicanos no Congresso. O presidente dos EUA, George W. Bush, e o recém-eleito presidente mexicano Felipe Calderon prometeram, ontem, trabalhar juntos em uma solução para conter a imigração ilegal na fronteira entre os dois países.
Depois de uma conversa na Casa Branca, ambos evitaram comentar sua discordância acerca do plano americano de construir um muro na fronteira para evitar a imigração ilegal. Calderon havia dito que o projeto da cerca complicaria sua visita aos EUA.
O encontro foi seguido pela tomada democrata do Congresso Americano, o que renova as esperanças acerca de uma reforma conciliatória sobre a política de imigração naquele país, uma busca de Bush que foi bloqueada pelos membros de seu Partido Republicano. “Eu asseguro ao presidente recém-eleito que as palavras que disse no Salão Oval, sobre uma visão conciliatória acerca da imigração, são palavras em que acredito fortemente”, disse Bush à imprensa.
Bush quer uma ação dos dois países para reforçar a fronteira e um programa para transformar em cidadãos os 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem hoje nos EUA. Mas os mexicanos estão indignados com o plano de construir a cerca de 1.120 quilômetros ao longo da fronteira, projeto que o presidente americano transformou em lei no último mês. Eles vêem a ação como uma “bofetada na cara” dos esforços do presidente mexicano Vicente Fox (cujo mandato se encerra neste ano) de entrar em acordo com Washington na questão.
Calderon, o recém-eleito presidente do México, disse ter expressado suas preocupações a Bush e que o líder americano estava “bastante aberto a todos os argumentos que lhe foram apresentados”.
A vitória de Calderon, candidato de um partido conservador, sobre o esquerdista Andres Manuel Lopez Obrador na eleição de julho foi vista como um incentivo a Washington na América Latina.