Internacional

Bush se abre a sugestões sobre Iraque

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Washington - O presidente George W. Bush se disse ontem disposto a ouvir sugestões da oposição democrata, vitoriosa na eleição legislativa de terça-feira, para mudar a política da Casa Branca em relação ao Iraque.

Na entrevista que deu à saída do almoço que teve na Casa Branca com a democrata Nancy Pelosi, a provável nova líder do Congresso e seu pesadelo pelos próximos dois anos, Bush disse: “Estou aberto a qualquer idéia ou sugestão que nos ajude a atingir a meta de derrotar os terroristas e garantir que o governo democrático do Iraque seja bem-sucedido”.

É uma virada de 180 graus para quem dizia, em comícios realizados poucos dias antes, que votar nos democratas era o mesmo que entregar o poder aos terroristas. Mas George W. Bush soube ouvir o recado das urnas. Não é “a economia, idiota!”, mantra inventado pelo estrategista James Carville para a campanha de Bill Clinton nos anos 90: agora, “é a Guerra do Iraque!”.

O primeiro passo foi trocar o comando do Departamento da Defesa, do falcão Donald Rumsfeld para o mais pragmático ex-diretor da CIA Robert Gates, anteontem. Rumsfeld admitiu pela primeira vez em entrevista ontem que a condução da guerra até agora não está indo “bem o suficiente ou rápida o suficiente”.

O segundo passo será ouvir o que diz a comissão bipartidária Iraq Study Group (grupo de estudos do Iraque), comandada pelo ex-secretário de Estado republicano James A. Baker e o ex-congressista democrata Lee Hamilton. O presidente Bush tem um encontro marcado com os dois no começo da próxima semana.

As conclusões da comissão só virão a público no começo de dezembro, mas alguns detalhes vazados para a imprensa dão conta de que a recomendação principal é a mudança da “Win Strategy” para a “Exit Strategy” (estratégia de vitória para estratégia de retirada). Outro ponto importante seria a mudança de foco, de tentar redemocratizar o país para tentar garantir a segurança.

A recém-adquirida importância do grupo de estudos, formado por experts em política externa, indica duas mudanças importantes na estratégia de Bush. A primeira é que os falcões foram mandados provisoriamente para as gaiolas - com a saída de Rumsfeld, o vice-presidente Dick Cheney está cada vez mais isolado na Casa Branca, se tornando o verdadeiro “pato manco” da história, o político sem poderes.

A segunda é uma reaproximação entre Bush pai e filho, depois de um distanciamento que começou após o ataque de 11 de Setembro e foi consolidado com a decisão do primeiro de ir sozinho à Guerra do Iraque, ação que o segundo condenava. Não só James Baker foi secretário de Estado do pai como Robert Gates foi seu diretor da CIA e protegido. Gates, aliás, também faz parte do grupo de estudos sobre o Iraque.

Há quem especule ainda que o grupo defenderá uma divisão do Iraque em três subterritórios, como escreveu Peter W. Galbraith na edição mais recente da revista “Time”. O mais provável, porém, é que recomende a passagem gradual, mas firme, do poder para as mãos dos iraquianos e a adoção de um cronograma para a retirada das tropas. Que é exatamente o que querem os democratas, segundo declarações dadas desde que a vitória foi confirmada.

Senado

Washington - O senador democrata Harry Reid, de Nevada, é o provável novo líder da maioria no Senado dos EUA. Após 12 anos de maioria republicana, o Partido Democrata conquistou a liderança na Câmara dos Representantes e no Senado americanos (a ser oficializado) nas eleições legislativas de terça-feira.

Nos EUA, o presidente do Senado é o vice-presidente do país - hoje o republicano Dick Cheney. Reid, que completará 67 anos no dia 2 de dezembro, é tido como um legislador moderado. Ele se tornou líder dos democratas no Senado em janeiro de 2005 (na época, o partido era minoria) ao substituir Tom Daschle - que havia perdido as eleições em 2004 após ser acusado de “obstruir” a agenda conservadora de Bush. Como novo líder do Congresso, Reid controlaria a agenda legislativa, decidindo que assuntos serão votados e quando.

Logo após as eleições que deram maioria aos democratas, Reid convidou o presidente George W. Bush para um encontro entre os dois partidos no qual líderes do Congresso deverão mapear as novas estratégias para a cada vez mais impopular Guerra do Iraque.

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