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Sem medo de crescer

Antonio Delfim Netto
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Não tenho dúvida, nesse momento em que o presidente Lula se prepara para o segundo mandato, que o Brasil tem as melhores condições desses últimos dez anos para a retomada do seu desenvolvimento. No primeiro período conseguiu um resultado realmente importante ao eliminar o constrangimento externo que normalmente é a principal ameaça ao nosso crescimento, não tanto no ponto de partida mas o elemento de frustração de sua continuidade. Estou convencido que podemos alcançar em 2007 uma expansão do PIB da ordem de 5% sem nenhuma perturbação quanto à estabilidade interna e com boas condições de neutralizar o risco externo. Esses 5% de que todos falam e que tomou conta das mentes (o que é uma boa coisa, embora não haja sentido em transformá-lo em “meta”), devem ser tomados simplesmente como a partida do motor, pois a continuação da marcha vai depender de questões bastante objetivas e da própria postura do governo. Depende da atitude amigável do governo, capaz de transmitir aos empresários e trabalhadores as garantias de que eles vão se apropriar legitimamente do produto de seus esforços, sem serem assaltados por mais impostos. Depende objetivamente de produzir as mudanças necessárias para ir colocando o câmbio numa situação de mais equilíbrio e a taxa de juros nos níveis suportáveis para estimular o setor privado a investir. Depende enfim de fazer renascer nos empresários o “espírito selvagem”, (o “animal spirit”, no original) uma expressão que obviamente não fui eu que inventei mas que define bem a decisão do empreendedor que intui que a demanda vai crescer. Se ele está perto do limite da produção ele investe para elevar a capacidade, iniciando assim um processo benigno de desenvolvimento que tende a se alimentar do próprio crescimento. O governo por sua vez tem que convencer a sociedade que vai conter a expansão de seus gastos de custeio para ter como melhorar as condições do investimento público e liberar recursos para o setor privado. Os gastos com os programas sociais podem ser perfeitamente sustentados. Seus resultados são excepcionais em termos de redução das desigualdades e melhoria das condições de alimentação das famílias de renda até 3 ou 4 salários mínimos e dos demais bens de consumo, até 10 salários mínimos. O que precisa é segurar o custeio da máquina estatal, eliminar enormes desperdícios e aumentar a produtividade dos serviços. Não tenho dúvida que podemos crescer 5% em 2007 mas para dar continuidade ao desenvolvimento, à taxas ainda maiores , vai ser preciso aproveitar o próprio resíduo desse crescimento na ampliação do investimento público e não no aumento do gasto corrente. Tem que mostrar que nos próximos quatro anos não vão faltar investimentos na infraestrutura de energia, dos transportes terrestres, fluviais ou marítimos, nos aeroportos e onde se apresentarem os gargalos que vão ser criados com a própria aceleração do crescimento. (O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP, professor emérito da USP. E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br)

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