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FOB já tira cárie sem motorzinho

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Ao invés da anestesia e do barulho característico do motorzinho, um silêncio indolor. A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) equipou sua clínica dentística com 25 aparelhos que desempenham a mesma função do temido motor. Por meio de vibrações ultra-sônicas, a nova tecnologia permite que intervenções dentárias, como obturações, por exemplo, sejam realizadas sem anestesia, sem barulho e com o mínimo de dor. A inovação irá beneficiar, a partir da próxima semana, tanto alunos da faculdade bauruense quanto a população que utiliza os serviços da clínica da FOB. “Graduandos e pós-graduandos poderão entrar em contato com a nova tecnologia dentro da instituição de ensino, saindo aptos para manusear os aparelhos ultra-sônicos. Além disso, nossos pacientes poderão contar com um equipamento que os deixam mais à vontade caso tenham medo do famoso barulho emitido pelo motorzinho”, destaca o professor Eduardo Batista Franco, responsável pela Clínica de Dentística e Endodontia da FOB. Além de deixar de lado a anestesia e realizar, sem barulho, o mesmo trabalho desempenhado pelo motorzinho, a aparelhagem ultra-sônica têm outras vantagens.

“Esse instrumento é muito seguro. Numa eventualidade, se ele escapar da mão do cirurgião durante o trabalho, não irá ferir língua, bochecha, nem a gengiva dos pacientes. Isso porque ele trabalha apenas com vibração”, ressalta o professor.

Pioneira

De acordo com Franco, a FOB é pioneira na implementação dos aparelhos. “É a primeira clínica de um instituição de ensino que recebe esse tipo de equipamento em todo o Brasil”, destaca. O responsável pela clínica dentística da faculdade ressalta que a nova técnica não oferece riscos à população.

“Antes de colocarmos em prática realizamos pesquisas analisando possíveis contra-indicações aos pacientes. Somente depois das confirmações é que realizamos a implementação”, destaca. Segundo o dentista, o motorzinho e a broca não serão aposentados, pelo menos num primeiro momento. No entanto, a nova tecnologia poderá realizar um trabalho de desmitificação da população. “Geralmente, quando o paciente escuta o barulho do motor, ele imediatamente começa a estremecer. Isso gera uma tensão no paciente, que pode prejudicar até mesmo o trabalho do dentista. O ultra-som pode ajudar a espantar um pouco esse mito”, acredita Franco. A Clínica de Dentística e Endodontia da FOB atende, gratuitamente, cerca de 50 pacientes diariamente, num período de quatro horas.

Adaptação

O ultra-som é utilizado pela ondontologia há cerca de 50 anos. No entanto, até cerca de três anos atrás, era considerado um equipamento coadjuvante nas clínicas. Sua intervenção ocorria apenas em casos chamados profiláticos, como por exemplo em limpezas dentárias. Através de um estudo que durou cerca de dez anos, funcionários do Instituto Brasileiro de Tecnologia Espacial (Inpe) desenvolveram uma espécie de ponteira que, adaptada ao aparelho de ultra-som, deposita cristais de diamante sintético em sua extremidade e os movimenta com freqüência de cerca de 30 mil batidas por segundo. A vibração alta é capaz de desgastar o dente sem que o paciente sinta dor. De acordo com a empresa bauruense Bionnovation, que adquiriu a patente mundial das pontas ultra-sônicas, essa tecnologia é genuinamente brasileira e já recebeu diversas premiações internacionais. Segundo o presidente da empresa detentora da patente, Bento Bravo, apesar da técnica ser relativamente nova, entre 30 e 50 consultórios odontológicos de Bauru já têm aparelhagem ultra-sônica. “No brasil temos cerca de 3 mil clientes cadastrados”, destaca. Ele não revelou o valor comercial das pontas, mas afirmou que o investimento na aquisição do produto vale a pena. “Num primeiro momento pode parecer caro para o dentista. No entanto, elas têm durabilidade 60 vezes maior do que as brocas normais. Além disso, elas podem substituir o motorzinho em 95% dos casos”, afirma Bravo. (LG)

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