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São Paulo conta com uma arma: jogadores polivalentes

Agência Estado
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São Paulo - Meio-campistas que podem jogar como atacantes, laterais que atuam na armação das jogadas e zagueiros que fazem as vezes de volantes e até meias. No futebol, ser polivalente não é apenas uma questão de guardar uma posição em campo. Que o diga o São Paulo, cuja provável conquista do Campeonato Brasileiro se deve muito à participação de jogadores com habilidade para desempenhar mais de uma função, casos principais de Souza, Leandro, Richarlyson e Lenílson.

“Ter atletas com essa característica é muito importante, principalmente num torneio longo como o nosso”, comentou o técnico Muricy Ramalho, que considera a multifuncionalidade uma virtude. “Só na Europa é que os clubes têm dinheiro para contratar vários jogadores para a mesma posição.” Os são-paulinos festejam a oportunidade de mostrar seu valor em mais de um lugar do campo. Na vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo, anteontem, Souza começou como segundo jogador do meio-campo e terminou a partida quase como atacante - tanto que marcou um gol. “Hoje, a minha posição é a ‘se vira’, de tanto que mudei de função”, brincou o jogador. “Sou pau para toda obra. O mais importante é estar disposto a colaborar com o time.” Mas nem sempre a adaptação é fácil. Depois que o São Paulo vendeu Cicinho para o Real Madrid, da Espanha, Souza abriu mão da liberdade que tinha como meio-campista para atuar na lateral-direita. Penou para aprender a marcar e a bater escanteios. “Foi difícil, mas acabou dando certo, porque fizemos vários gols de cabeça, em cobranças minhas”, contou o jogador. Leandro, que é atacante de origem mas já atuou como meia e até lateral ao longo do Brasileirão, tem a mesma opinião do companheiro. “Em qualquer posição que me escalar, estou pronto”, garantiu o jogador. “Só não calço as luvas de goleiro porque contamos com o Rogério e o Bosco, que têm muito mais capacidade do que eu”, brincou. O técnico Muricy Ramalho não vê nenhum segredo em fazer com que um jogador atue em mais de uma posição. “É preciso respeitar as características do atleta, treiná-lo e dar confiança para ele”, receita. “Só trocar por trocar, não adianta. O acaso não existe no futebol.” Em momentos importantes da campanha, outros jogadores do São Paulo desempenharam mais de uma função. O meia Richarlyson chegou a atuar até como zagueiro, na vitória por 1 a 0 sobre o São Caetano, no ABC - mas substitui Júnior com freqüência, quando lateral-esquerdo cansa, na etapa final. E Lenílson, que foi contratado do Noroeste para ser substituto de Danilo, atuou como centroavante, na função executada por Aloísio, no triunfo por 1 a 0 diante do Santos, na Vila Belmiro.

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