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Seqüestro no Rio termina sem vítimas

Por Clarissa Thomé | AE
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Armado de um revólver 38, o ambulante André Luiz Ribeiro dominou a ex-mulher e fez cerca de 40 pessoas reféns no ônibus da linha 499 (Cabuçu-Central do Brasil), na Rodovia Presidente Dutra, próximo a Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele agrediu a ex-companheira e ameaçava matá-la antes de se suicidar. A Polícia Rodoviária Federal, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Comando de Policiamento da Baixada se alternaram nas negociações. O seqüestro já durava dez horas quando policiais do Bope invadiram o ônibus, às 18h, e prenderam Ribeiro, sem disparar um tiro. A técnica em radiologia Cristina Ribeiro, 36 anos, que também é prima de Ribeiro, foi dominada pelo ex-marido na Estrada da Palhada, em Nova Iguaçu. Uma pessoa viu o homem armado e avisou o sargento PM Victor Gonzalez. Quando Ribeiro seria abordado pelo policial, forçou a mulher a entrar no ônibus 499 e rendeu o motorista. Outros passageiros ligaram por celular para a polícia e para familiares para avisar do seqüestro. Testemunhas contaram que o ambulante já agredia a ex-mulher ao entrar no ônibus. Ela a puxava pelos cabelos, batia com sua cabeça em um cabo de metal, dava-lhe socos e tapas. Os dois choravam. Ele avisou que não machucaria os passageiros e acusava Cristina de traição e de tramar sua morte. Logo depois de entrar no ônibus, ele permitiu que uma senhora descesse. Obrigou o motorista a romper uma barreira da polícia na Via Dutra. Mais à frente, em nova barreira, Ribeiro foi com a ex-mulher para a parte de trás do ônibus. O motorista Flávio Teles Menezes, 45 anos, aproveitou para fugir. O cobrador Doady Abraão Santos Alves, 43 anos, viajava como passageiro e assumiu a direção do veículo, até que uma carreta, orientada pela Polícia Rodoviária Federal, escoltasse o ônibus para o acostamento. Os pneus do coletivo foram esvaziados. O sistema de ar-condicionado foi cortado para obrigar o seqüestrador a deixar que as janelas fossem abertas, permitindo que a polícia acompanhasse a movimentação de Ribeiro.

“Chamem os repórteres”

Num dos momentos mais tensos o cobrador tentou convencer Ribeiro de desistir de matar a ex-mulher, propondo que ele se entregasse. Mas o ambulante gritava: “Chamem os repórteres. Chamem os repórteres. Quero matá-la em frente à Globo”. Ao cortar o ar-condicionado, no entanto, a polícia acabou travando as portas do veículo. Quando Ribeiro permitiu que um pastor e seus irmãos entrassem no ônibus para negociar sua rendição, estranhou que a porta não abria e recuou. Ele manifestou ter medo de ser morto pela polícia e disse que não tinha intenção de se entregar. Nos momentos finais do seqüestro Ribeiro permaneceu no ônibus com a mulher, três passageiros que quiseram ficar no ônibus para evitar que ele cumprisse as ameaças, e o cobrador Luiz Carlos da Silva, que atuou o tempo todo intermediando as negociações.

Às 16h, o Caveirão do Bope chegou ao local, deixando apreensivos familiares dos reféns. Às 18h o seqüestrador entregou o revólver para os policiais pela janela e os PMs entraram no ônibus. A polícia encobriu Ribeiro, impedindo a imprensa de registrar o fim do seqüestro, uma exigência feita por ele desde o início da ação.

“Foi um final feliz”, declarou o comandante Geral da PM, coronel Hudson Aguiar. “A mulher disse que vai se separar dele”. Cerca de 200 curiosos que acompanharam durante todo o dia o seqüestro do ônibus 499 tomaram a Presidente Dutra para comemorar o desfecho do caso. Ribeiro foi levado para a 52.ª Delegacia de Polícia (Nova Iguaçu). Ele pode ser indiciado por seqüestro, porte ilegal de arma e agressão. A pena para seqüestro, de 1 a 3 anos, será multiplicada por cada vítima. Cristina foi atendida no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu.

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