Cultura

A tragicomédia do sucesso

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de lotar o Teatro Municipal com a peça “Água Viva” em abril deste ano, Suzana Vieira retorna a Bauru com a comédia “Namoradinha do Brasil”, de Fernando Ceylão. No palco, ela é Ragilda, a mãe obcecada pelo sucesso da filha Viviane, interpretada por Bárbara Borges. A peça será apresentada hoje, às 18h30 e 21h, e amanhã, às 20h. Os ingressos estão à venda na bilheteria.

Atrás das cortinas, um apartamento onde mãe e filha dividem o mesmo quarto. Até aí, tudo bem, não fosse o fato de Ragilda querer fazer da vida da filha o seu sonho: ser uma celebridade. Tentativas essas que vão ficando cada vez mais engraçadas, alucinadas e assustadoras. “Ela jogou todos os desejos e frustrações da vida dela em cima da filha”, diz Bárbara em entrevista concedida no JC.

Esta relação desequilibrada e, ao mesmo tempo, profunda é relatada ao público sob o ponto de vista da personagem de Bárbara. “As cenas são intercaladas com as memórias da Viviane desde quando ela começou a notar que esta obsessão da mãe não estava fazendo bem a nenhuma das duas. Só que esse exagero da mãe é uma grande comédia”, adianta.

Com a idéia fixa, a mãe não se cansa de repetir: “você vai ser uma estrela”. A loucura vai contra os anseios da filha que, mesmo sonhando em ser atriz, quer namorar, sair com as amigos, enfim, tudo que para sua mãe é um grande absurdo. “Para a mãe, a profissão não é ser atriz, é ser famosa. E isso Viviane não quer. Então eu faço esse contraponto à personagem da Suzana. Minhas cenas estão mais para a emoção. É uma peça que fala da vida, é muito divertida e ao mesmo tempo emocionante”, diz Bárbara.

Sucesso

Toda essa busca insana pelo sucesso extrapola o palco e encontra personagens na vida real. “O que você mais vê na Globo são mães que quase obrigam os filhos a ser estrelas”, conta Bárbara, que ainda coloca: “Mas, para mim, a fama pela fama é efêmera. Ter uma carreira consolidada exige dedicação, estudo e superação constantes. Isso sustenta uma carreira como a da Suzana, por exemplo” aponta.

Bárbara já tinha trabalhado com a atriz na novela “Senhora do Destino”, mas não chegaram a contracenar juntas. Agora, com a experiência em dividir o palco com Suzana, a satisfação. “A Suzana é um ícone! Desde nova, me lembro de admirá-la nas novelas. Estou aprendendo muito com ela”, elogia. A evolução na carreira de Bárbara pôde ser acompanhada pelo público desde quando era paquita de Xuxa, passando pela televisão e pelo teatro. Aliás, foi como paquita que ela esteve em Bauru pela primeira vez e que agora retorna com grandes expectativas. “Espero que as pessoas venham assistir, porque é uma peça para todas as idades!”, diz.

Em 2007, a atriz deve voltar à televisão para uma novela de Aguinaldo Silva, também com Suzana Vieira no elenco. Até lá, a peça, que estreou em outubro em Petrópolis (RJ), deve percorrer mais algumas cidades do Interior do Estado, do Nordeste e as capitais do Rio e de São Paulo.

Serviço

Espetáculo “Namoradinha do Brasil” será apresentado hoje, às 18h30 e 21h, e amanhã, às 20h, no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Ingressos na bilheteria do teatro por R$ 40,00 e R$ 20,00 (estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). Mais informações: (14) 3235-1072.

Destino

Quem for conferir a contemporaneidade do tema tratado na peça certamente se surpreenderá ao saber que o texto, na verdade, foi escrito há dez anos especialmente para Suzana Vieira, recusado na época por conta de outros compromissos profissionais.

À procura de uma nova montagem feita por um autor brasileiro, Suzana conheceu o texto de Fernando Ceylão, em 2005, e na hora aceitou. “Ela contou que nem titubeou, era exatamente o que estava procurando. Demorou um pouco, mas aconteceu, porque tudo tem a sua hora”, conta Bárbara Borges.

Com o texto em mãos e algumas adaptações, Suzana selecionou cinco atrizes para um teste e Bárbara foi a escolhida. Além de sua ótima performance, a semelhança física entre as atrizes foi um fator determinante para a escolha. “A Suzana me achou parecida com ela por causa da minha bochecha mais saltada”, lembra Bárbara. (AF)

Comentários

Comentários