Washington - Líderes do Exército dos EUA já deram início a uma grande revisão da estratégia americana para a Guerra do Iraque, após a derrota republicana nas eleições legislativas da última terça-feira enviar uma clara mensagem de rejeição aos rumos tomados pelo governo no país árabe. A informação, divulgada ontem pelo jornal “The New York Times” (NYT), cita também a busca de uma nova forma de ação no Afeganistão e em outras áreas de atuação das forças de segurança dos EUA.
Enquanto isso, os democratas, que controlarão o Congresso a partir de janeiro, já usam seu recém-conquistado poder para pressionar por mudanças no Iraque. O “NYT” afirma que eles prometeram acelerar a aprovação de mudanças no Congresso, como uma resolução exigindo um cronograma para a diminuição das tropas americanas no país.
Citando oficiais do Pentágono, o “NYT” relatou que um dos principais líderes das forças armadas dos EUA, o general Peter Pace, formou um time de altos oficiais para reformular as estratégias na guerra contra o terrorismo.
Pace anunciou a revisão em uma série de entrevistas televisivas anteontem, sem no entanto dar detalhes das possíveis mudanças. Segundo o “NYT”, estão em discussão um aumento das forças de segurança do Iraque e novos esforços dos EUA para treinarem e equiparem os oficiais locais, além de um “ajuste” no número das tropas americanas no Iraque.
Apesar de o ex-secretário de Defesa dos EUA Donald Rumsfeld - que renunciou ao cargo um dia depois da derrota do Partido Republicano nas urnas - ter admitido recentemente a possibilidade de enviar mais tropas ao país, os novos líderes democratas no Congresso já deixaram claro após a vitória que desejam uma retirada gradual do Exército americano do Iraque.
A revisão militar, que começou oficialmente em 25 de setembro, mas parece ter mudado de rumo após as eleições, está sendo coordenada com o resto do governo. O time de revisão, no entanto, ainda não se reuniu, segundo o “NYT”, com o Grupo de Estudos do Iraque, uma comissão encarregada de investigar alternativas para a guerra. A revisão deve estar completa no começo de dezembro.
Primeiro golpe
Desde o dia seguinte às eleições ficou claro que o governo do presidente George W. Bush não sairia impune da derrota republicana. O primeiro impacto foi a queda de Rumsfeld, que, segundo Bush, renunciou porque é preciso “uma nova perspectiva no Iraque”.
A expectativa nos EUA é que a nova liderança congressista do Partido Democrata exerça maior pressão sobre Bush com relação ao Iraque. Bush disse na quinta-feira que está aberto a “sugestões” sobre os novos rumos da guerra no país árabe. Ele reafirmou publicamente que a vitória é possível.
As perspectivas de o embaixador americano John Bolton permanecer na ONU foram praticamente descartadas na quinta-feira na medida em que democratas e um importante líder republicano disseram que continuarão a fazer oposição à sua nomeação.
Segundo golpe
Especula-se agora que o segundo grande impacto da derrota no governo Bush será a queda de John Bolton. Na quinta-feira, a Casa Branca resubmeteu a nomeação de Bolton ao Senado, onde a indicação para mais um ano de mandato se enfraqueceu.
Bush o indicou a um trabalho temporário em agosto de 2005 enquanto o Congresso estava em recesso, indicação que expirará assim que a Casa for renovada, o que não deve passar de janeiro próximo.
O senador republicano Lincoln Chafee, que foi derrotado pelo democrata Sheldon Whitehouse na terça-feira, disse a repórteres do Estado de Rhode Island que continuaria a se opor a Bolton e que iria induzir os republicanos a negar a nomeação do embaixador ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.
Os democratas dizem que Bolton é um “tirano” em quem faltam habilidades diplomáticas necessárias para assuntos internacionais.
O conflito no Iraque foi apontado por especialistas como o principal motivo para o fracasso do partido de Bush nas eleições, ao lado dos repetidos escândalos de corrupção envolvendo legisladores republicanos.
No entanto, o presidente disse ainda que é responsabilidade dos EUA dar apoio aos 152 mil soldados americanos no Iraque - uma aparente mensagem aos democratas que defendem o corte dos recursos enviados à missão no país.