Quem trafega pela rodovia Marechal Rondon sentido Capital muitas vezes nem percebe que há uma placa, entre Bauru e Lençóis Paulista, indicando a Estação Ferroviária Virgílio Rocha. Pequena, simples e deteriorada pelo tempo, a estação é uma caixinha de lembrança para o ferroviário aposentado Virgínio Coneglian, 78 anos, que trabalhou como abastecedor da locomotiva a vapor que seguia para Borebi e para a fazenda do coronel Leite.
O local, que não conserva o glamour dos anos 50, já foi palco de fatos que marcaram a vida de Gino Coneglian, como o ferroviário é conhecido. “Meus oito filhos foram criados aqui e tem uma foto deles na plataforma da estação. Ela era muito bonita, simples e muito limpa.”
O estado de abandono da Estação Virgílio Rocha incomoda seu Gino. “Eu sinto uma tristeza muito grande em ver a estação abandonada. É um patrimônio público abandonado que guarda a história da ferrovia. Eu não me conformo com isso.”
O amor do ferroviário pelo local vai além do que se possa imaginar. Abaixo da linha do trem, onde ele criou os filhos é atualmente um “condomínio” da família Coneglian. “Aqui moram eu e alguns dos meus filhos, minhas irmãs, sobrinhos. Todos são parentes. As pessoas que não são da família moram acima da linha.”
Seu Gino faz questão de lembrar que na década de 40, início de 50, a estação tinha 18 funcionários e todos moravam em Virgílio Rocha. “Aqui era um ponto de composição, o movimento era muito grande. Uma linha ia para a pedreira, outra servia o ramal de Borebi que terminava na estação de coronel Leite. De Borebi também partia um ramal de lenha que seguia para Botucatu.”
A relação do aposentado com Virgílio Rocha é muito antiga e atinge seus descendentes. “Meu avô, Luiz Coneglian, foi quem doou as terras para a estação. Ele e minha avó foram os fundadores de Virgílio Rocha. Quando inaugurou a estação, ela vendia café, bolo e frutas para os passageiros do trem.”
A estação, segundo seu Gino, foi construída em 1906, embora a doação oficial do terreno tenha se efetivado em 1918. O sonho que ele acalanta desde 77 é ver a estação restaurada com tudo em seu devido lugar.
Mas segundo a assessoria de Imprensa da prefeitura, não há projetos para a restauração da estação, mesmo porque ela ainda não foi cedida para o município.
O mesmo não acontece com a estação de Alfredo Guedes, outro bairro rural pertencente a Lençóis. Como a estação já foi cedida para o município, há um projeto de restauração. O prédio deve ser reformado ainda este ano e deverá abrigar o Centro Municipal de Formação Profissional.