Bairros

Comunidades resgatam laços de amizade

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Logo que foi convidada para participar do site de relacionamentos Orkut, há cerca de um ano e meio, a vendedora Cristiane Aparecida Amos, 26 anos, decidiu encontrar o paradeiro de pessoas com as quais conviveu no período da infância. Para facilitar a tarefa, ela resolveu fazer essa busca em comunidades dedicadas à Vila Nova Esperança (zona norte de Bauru), bairro onde nasceu.

Do outro lado da cidade e quase na mesma época, o técnico em farmácia Robson Braguetto, 25 anos, teve idéia semelhante à da vendedora. Ele também desejava reencontrar amigos e colegas do tempo de criança, e por isso buscou uma comunidade relacionada ao Núcleo Presidente Geisel, lugar onde ele vive até hoje, por sinal.

Braguetto teve mais sorte do que Amos, já que seu bairro já contava com espaço no Orkut. “Só que eu achava aquela comunidade meio parada, por isso resolvi montar uma que tivesse a minha cara”, conta ele.

Hoje, o site criado pelo técnico em farmácia - denominada Geisel (Bauru-SP) - possui quase 700 membros, ao passo que a comunidade original - ambas, aliás, têm o mesmo nome - conta com a participação de 150 pessoas. Desde que colocou a idéia em prática, Braguetto tem obtido êxito em sua busca pelos amigos do passado.

“Consegui reencontrar colegas de escola que eu não via há mais de cinco anos”, afirma ele. A vendedora não ficou atrás: tão logo percebeu que a Nova Esperança estava de fora do site de relacionamentos, decidiu se mobilizar e criar por conta própria uma comunidade dedicada ao bairro.

Tal como Braguetto, Amos também conseguiu obter notícias de pessoas das quais estava há tempos afastada. “Voltei a ter contato com gente que eu não via há mais de 15 anos”, garante ela, que também é membro da comunidade dedicada ao Parque Vista Alegre, local onde morou durante parte da adolescência.

Muitos podem considerar duvidosa a validade desse tipo de reencontro, já que, na maioria das vezes, o contato entre as pessoas permanece restrito ao próprio Orkut. Mas Amos defende a importância das comunidades virtuais. “Lá a gente expõe nossas opiniões, gostos, fotografias, enfim, toda nossa intimidade.”

Na visão dela, pelo site de relacionamentos é possível até mesmo perceber as mudanças pelas quais uma pessoa passa no decorrer do tempo. “Muita gente me deixa recado dizendo: ‘Nossa, como seu cabelo está diferente’ ou ‘Meu Deus, como sua filha cresceu’. Elas sabem disso porque viram na Internet”, argumenta.

Satisfeitos por poderem rever os amigos do passado, Braguetto e Amos também tiveram, com suas comunidades, a chance de unir os atuais habitantes de seus respectivos bairros. “Como a maioria deles trabalha, não sobra tempo para um visitar o outro”, explica a vendedora. Para ela, o Orkut representa uma espécie de resgate da vivência em comum no bairro. “Pelo menos dá para passar na página da pessoa e deixar um oi”, acredita.

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Novas amizades

A comunidade Geisel (Bauru-SP) permitiu a Robson Braguetto experimentar situações que vão bem além de seus objetivos que ele tinha quando a criou - ou seja, simplesmente reunir antigos e novos moradores do bairro. Como o site tem uma quantidade considerável de membros (quase 700), ela passou a ser conhecido em vários cantos da cidade.

“Volta e meia, alguém me pára na rua e pergunta: ‘Ei, você não é aquele cara, dono da comunidade do Geisel?’”, diz ele. Tímido, Braguetto costuma ficar sem jeito quando sofre esse tipo de abordagem. “Acho meio estranho conversar dessa forma com pessoas que jamais havia visto na vida”, explica.

O técnico em farmácia afirma ter conhecido algumas pessoas por meio do Orkut. “Duas delas até chegaram a pedir meu MSN (software que permite a realização de conversas em tempo real, via Internet), mas não passou disso. A gente se falou, tudo mais, mas nunca ocorreu um encontro real”, garante Braguetto.

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