Regional

Governador promete a residentes grevistas colaborar na negociação

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Um grupo de cerca de 150 pessoas, entre grevistas e alunos de graduação em medicina, aproveitaram a presença do governador do Estado, Cláudio Lembo (PFL), em Botucatu, e apresentaram a pauta de reivindicação.

Segundo a representante da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu (AMRB), Érica Vasques Trench, o governador se mostrou acessível e, após receber o grupo, prometeu conversar com o secretário de Saúde do Estado, além de levar o problema ao presidente Lula.

Lembo esteve em Botucatu ontem para a inauguração oficial de uma nova unidade da Febem.

“Ele (o governador) se comprometeu a conversar com o secretário de Saúde do Estado para ver direito em relação ao comentário que ele tinha feito de que talvez, se ele tivesse que dar aumento pela lei federal, diminuiria o número de bolsas”, conta Trench.

O encontro ocorreu no período da manhã depois dos grevistas terem promovido uma concentração em frente ao portão principal do HC, que contou com cerca de 150 pessoas entre médicos residentes e alunos de graduação, simpatizantes à greve.

No período da tarde de ontem, o grupo também fez uma manifestação em frente ao Banco do Brasil, na rua Armando de Barros, no Centro.

Protestos hoje

Os protestos devem continuar hoje, conforme informou a representante dos grevistas.

“Amanhã (hoje), possivelmente, nós vamos organizar um ônibus para ir à Praça da Sé, em São Paulo, e se reunir com todos os residentes do Estado, às 13h”, disse.

Segundo ela, a adesão dos médicos residentes de Botucatu beirou os 100%. “Mas nós estamos mantendo o funcionamento em cima de urgência e emergência. Vamos dar conta dos pacientes que estão internados, só que nós vamos paralisar o ambulatório e a triagem, que são serviços eletivos”, avisa Trench.

Conforme o JC divulgou ontem, os residentes grevistas reivindicam reajuste da bolsa-auxílio, atualmente em cerca de R$ 1.400,00, e que estaria defasada devido à inflação acumulada no período de 2002 até hoje.

Eles querem aumento sem redução do número de vagas, além de melhores condições de trabalho. Além disso, aguardam a votação de um projeto de lei, ainda em tramitação na Câmara dos Deputados, que solicita elevação de 30% no valor da bolsa, fixando-a em R$ 1.916,45.

“Formularam o projeto de lei dizendo que poderiam dar somente 30% de reajuste”, lamenta Trech, explicando que os grevistas também querem que seja respeitado o cumprimento da carga horária da categoria.

“Além do aumento da bolsa, nós estamos pedindo também para que haja políticas de melhoria para a residência. Como o cumprimento das 60 horas semanais, porque nós trabalhamos de 80 a 110 horas semanais. A nossa pauta de reivindicação vai um pouquinho além do aumento da bolsa”, conclui.

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Marília em greve

O médico Igor Thiago Xavier Interlichi, da Associação dos Residentes de Marília, que dão plantão do Hospital das Clínicas da cidade, disse ontem que os grevistas da cidade não pretendem participar da concentração em São Paulo, mas devem se reunir hoje à tarde para discutir a greve.

“Nós vamos fazer uma reunião amanhã (hoje) a tarde para ver o que mais podemos fazer. Também pretendemos marcar uma reunião com a diretoria da faculdade para fazer novas reivindicações”.

Segundo ele, quase 100% dos médicos residentes - são 108 no total - continuam em greve. A paralisação em Marília começou na quarta-feira da semana passada. Os grevistas, segundo o médico, querem que o projeto de lei que prevê aumento para a categoria seja votado em regime de urgência. “O projeto de lei já foi mandado para o Congresso”, diz.

Questionado pela reportagem se os médicos residentes de Marília aceitariam o reajuste de 30% previsto no projeto de lei, ao invés dos 53,7% inicialmente pretendido pela categoria, o médico ponderou.

“Se o repasse for feito igualmente a partir de janeiro, nós aceitamos o aumento de 30%. O que parece é que o aumento não seria igualitário, não seria repassado para os municípios na mesma época. Nós gostaríamos de receber todo mundo a partir de janeiro. Segundo informações que nós temos é que talvez, pela Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo), não seria repassado a partir de janeiro e somente a partir de junho ou julho”, conclui o representante.

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