Botucatu - Inaugurada ontem, a 12.ª unidade do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa), no município de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) deve começar a receber os primeiros adolescentes em duas semanas, de acordo com Berenice Maria Giannella, presidente da Fundação Estadual Para o Bem-Estar do Menor (Febem).
Segundo apurou o JC, atualmente, Botucatu possui 105 menores cumprindo algum tipo de medida sócio-educativa nas unidades da Febem, sendo que 24 estão em regime de internação e 81 em regime de liberdade assistida. Giannella ressaltou o benefício de ter o menor cumprindo a medida próximo da família.
A unidade inaugurada tem capacidade para abrigar 56 adolescentes, sendo 40 em regime de internação e 16 de internação provisória. A promessa é que a unidade receba só menores da própria cidade ou de cidades próximas.
O perfil dos atendidos é de adolescentes primários, com idade entre 12 e 21 anos incompletos, do sexo masculino, e que já estão internados em unidades da Capital.
A unidade do Casa é composta por três pisos: o primeiro formado pelas salas de aula, refeitório e salas de cursos profissionalizantes; o segundo piso conta com dez dormitórios, cada um com capacidade para quatro adolescentes; e o terceiro pavimento com a quadra poliesportiva coberta e espaço para banho de sol.
Antes mesmo de começar a receber os internos, a unidade já tem garantida bibioteca, com cerca de 400 publicações que darão apoio às aulas do ensino formal e profissionalizante.
A iniciativa partiu do escritor botucatense, Francisco Marins, que doou todos os materias necessários para viabilizar a biblioteca. “Se vamos trabalhar juntos, temos que começar a mostrar esta disposição desde já”, lembra Marins.
____________________
Autoridades
A inauguração do Casa de Botucatu contou com a presença do governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL); da diretora da nova unidade, Angélia Silva; e representantes da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Botucatu e do Ministério Público do Estado de São Paulo, além da presidente da Febem, Berenice Maria Giannella, e do prefeito de Botucatu, Antonio Mário de Paula Ferreira Ielo (PT),.
“Sabemos que a responsabilidade é de toda sociedade, de todos aqueles que acreditam na recuperação desses menores”, destaca Ielo.
____________________
Febem para Casa
Mudar o estigma negativo que está associado à Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) foi o tom usado pelo governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), ao discursar na inauguração de ontem.
Lembo disse que já enviou ontem mesmo um projeto de lei à Assembléia Legislativa que altera o nome Febem para Fundação Casa. “A Febem ficou marcada como uma coisa amarga no Estado de São Paulo”, justifica o governador.
Segundo Lembo, devem ser entregues 26 unidades em que o conceito de atendimento aos jovens em privação de liberdade privilegia centros com menor capacidade ao invés dos complexos para milhares de menores em uma só área.
Nesse novo modelo, o Estado é o responsável pela direção, segurança e supervisão da unidade. O trabalho pedagógico com internos fica sob responsabilidade de um organização não-governamental.
A ONG responsável pelo trabalho em Botucatu será o Centro Regional e Atenção aos Maus tratos na Infância (Crami). Fundado em janeiro de 1988, o Centro está envolvido em projetos sociais com jovens vítimas de maus tratos.
Hoje, a entidade mantém oficinas e cursos profissionalizantes na cidade, onde adolescentes que cumprem medida de liberdade assistida são atendidos.
O governador destacou a atuação das Organizações não governamentais: “As ONGs estão sendo analisadas de forma muito plena pelos meios de comunicação. Muitas delas trabalham em grande solidariedade com a sociedade. Tenho certeza que o Crami vai ser muito importante na fiscalização dessa unidade”.
Direção
A direção e supervisão da Casa em Botucatu serão da assistente social Angélica da Silva. Ela se formou pela Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU), em 1982, e iniciou sua carreira profissional trabalhando no projeto S.O.S Criança.
Anos depois, passou a trabalhar no Complexo Tatuapé da Febem, onde atuou como técnica em atendimento social. Em 1999, Silva foi transferida para o Complexo da Raposo Tavares, também em São Paulo, onde permaneceu até então, no cargo de diretora da UI-22.