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Lula elogia trabalho de Hugo Chávez e defende integração

Folhapress e AE
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São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem na Venezuela que o mesmo povo que o elegeu no Brasil irá reeleger Hugo Chávez à Presidência daquele país.

Lula participou ontem da inauguração da segunda Ponte sobre o rio Orinoco, na cidade de Guayana, ao lado de Chávez. “O mesmo povo que me elegeu, elegeu (Néstor) Kirchner (na Argentina), elegeu Daniel Ortega (na Nicarágua) e elegeu Evo Morales (na Bolívia) e sem dúvida vai eleger o presidente da Venezuela”, disse Lula na Venezuela.

Lula disse ainda que em seu segundo mandato vai trabalhar com muito “mais força” e com muito “mais ousadia” para consolidar a integração dos países da América Latina. “Todos nós presidentes dos países da América do Sul e da América Latina precisamos trabalhar a integração como jamais trabalhamos. Temos que fazer uma interligação entre nossas estradas, temos de construir as ferrovias que precisam ser construídas, as empresas de petróleo de nossos países precisam trabalhar juntas, o Brasil precisa da Venezuela e a Venezuela precisa do Brasil”, afirmou ele.

O brasileiro afirmou que manterá uma boa relação com Chávez em seu segundo mandato. “Não se incomode. De vez em quando tentam fazer intrigas entre nós, tentam criar divergências entre nós. Mas eu aprendi desde pequeno a conhecer as pessoas boas não apenas pelas palavras, mas pelos olhos e pelo coração, e eu acho que você, Chavéz, demonstrou ao povo da Venezuela de que é possível crescer economicamente fazendo justiça social, de que é possível desenvolver a economia de forma justa para que todos participem dela”, finalizou.

O presidente brasileiro aproveitou o evento para fazer comparações entre a relação entre a mídia venezuelana com o governo e a brasileira. “Quando fui a Caracas e vi a televisão, voltei ao Brasil dizendo a mim mesmo que jamais havia visto meios de comunicação agredindo um presidente da República como você foi agredido. Jamais imaginei que isso poderia ocorrer no Brasil e ocorreu o mesmo, querido companheiro.”

Repetindo a estratégia de sua campanha à reeleição no Brasil, Lula afirmou que “nunca houve um governo que se preocupasse tanto com os pobres” como Chávez. “Não tenho dúvida de que na Venezuela, há muitos e muitos anos, não havia um governo que se preocupasse tanto com os pobres como você se preocupa.”

O petista afirmou ainda que Chávez é perseguido como ele pela elite. “Sei que aqui, como no Brasil, somos vítimas de pessoas que governaram o país durante séculos e séculos, e não aceitam que alguém que queira cuidar do povo e seja diferente governe. Para muita gente, pobre é apenas um número estatístico. Para nós, não, é um ser humano.”

Chávez afirmou que retribuirá a visita de Lula e irá a Brasília após sua reeleição. “Em 7 de dezembro, quando eu, seguindo o exemplo de Lula, for reeleito, estarei em Brasília.”

Gafe

O presidente foi vítima ontem, diante do eleitorado chavista, da “maldição Reagan”. Em seu discurso, durante a inauguração da ponte sobre o rio Orinoco, Lula referiu-se aos “homens e mulheres da Bolívia”. O tradutor, que convertia cada uma de suas frases do português para o espanhol, o seguiu literalmente, mas percebeu o erro e corrigiu. Lula ouviu e retomou: “...da Venezuela”.

Em 1982, coube ao então presidente dos Estados Unidos, Ronald Regan, cometer gafe similar - naquela ocasião, com o Brasil. Em banquete oferecido em Brasília pelo então presidente João Batista Figueiredo, Regan levantou um brinde “ao povo da Bolívia”. Tentou remendar o erro, mas não conseguiu.

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