São Paulo - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, rebateu ontem críticas de que só estaria preocupado com as metas de inflação e que esqueceria de garantir as condições para o crescimento econômico.
Em São Paulo, Meirelles usou a metáfora de um time de futebol em que o goleiro seria “bom”, mas em que “os demais jogadores não fazem gol”. “Essa reivindicação (sobre o desempenho do time) é mal expressa quando o goleiro é criticado por não fazer gol”, disse ele após participar de palestra com empresários em São Paulo.
O mercado espera que o crescimento da economia brasileira seja de apenas 2,97% neste ano, um dos menores dos países emergentes. Já a inflação deve ficar em 3,05%, bem abaixo da meta de 4,5%.
No governo, integrantes da equipe econômica têm manifestado, apenas reservadamente, descontentamento com o conservadorismo na queda dos juros e culpam o BC pelos resultados ruins da economia.
Para Meirelles, para o Brasil crescer é necessária uma combinação de balanço de pagamentos equilibrado, superávit comercial, inflação na meta e relação dívida/PIB em queda.
O presidente do BC também rebateu os críticos que pedem uma queda mais rápida da taxa de juros. Ele disse que os juros já caíram e vão continuar a baixar.
No entanto, ele disse que o País precisa manter o compromisso com as metas de inflação e “fazer os sacrifícios” necessários. “Na medida em que a inflação é imprevisível ou instável ou o país não tenha compromisso com as metas de inflação, a taxa de juros de qualquer país, inclusive do Brasil, tende a ser alta”, disse.
“No momento em que o país tem compromisso, capacidade para que a inflação fique constantemente na meta, os juros tendem a cair, como têm caído nos últimos dez anos.” Na palestra, Meirelles afirmou que o País está em condições “únicas’’ de crescimento porque, diferentemente dos últimos 50 anos, não precisa tomar decisões importantes em meio a uma crise.
“Inflação baixa e juros ao longo tempo cadentes, esta sim é a melhor equação para que o país cresça”, disse. “Todos nós precisamos de juros mais baixos, inclusive os bancos. As maiores instituições financeiras do mundo não vivem em países de juros altos.”