Depois de um tempo fora de Bauru, tive a oportunidade de visitar duas grandes novidades da cidade: o Alameda Center e o novo aeroporto. Li algumas reportagens a respeito de ambas as obras e o que mais me impressionou foi a total ausência do poder público municipal em colaborar. Aliás, Bauru está vivendo apenas de obras estaduais, federais e privadas. Falando do aeroporto, discutiu-se muito em relação à distância do empreendimento, mas pouco se falou em relação ao desconforto de aeronaves de grande porte sobrevoando regiões densamente povoadas. Basta nos lembrarmos das diversas vezes que incidentes ocorreram com o Fokker-100 da TAM em nossa cidade. O aeroporto tem uma grande vocação e não pode ficar localizado no centro da cidade.
A maioria dos grandes aeroportos europeus, por exemplo, fica a pelo menos 45 minuto de trem do centro das cidades. Aqui no Estado, basta vermos Viracopos. O que falta é o poder público municipal se mobilizar com a empresa permissionária para criar horários de ônibus executivos ligando o centro da cidade ao aeroporto, saindo do Terminal Rodoviário, conforme já publicado no JC. Talvez até uma outra linha, via Nações Unidas, passando pela grande maioria dos hotéis da cidade. Falta pulso firme do poder público em tomar decisões e planejamento. O aeroporto já está funcionando e nada de transporte.
A mesma situação de abandono ocorre com o Alameda Center. Um tremendo investimento privado com uma das melhores salas de cinema que já freqüentei. O som realmente é impressionante, sendo o maior complexo de cinemas THX do Brasil. Um enorme chamariz para a cidade. Contudo, quem já teve a experiência de visitar o local, viu que a saída de volta para a Marechal Rondon está totalmente precária, com falta de sinalização adequada, iluminação e conservação do piso. Dois grandes empreendimentos localizam-se naquela área (Unip e o Alameda) e a prefeitura parece fazer vistas grossas para as condições do local. A Emdurb, por exemplo, sabendo do empreendimento, deveria imediatamente ter calculado a demanda de passageiros e prolongar algumas linhas de ônibus. Afinal, todos têm o direito de se divertir, mas a linha de ônibus mais próxima funciona em péssimos horários e não possui nenhuma opção aos domingos.
Analisando ambos os casos, vemos, mais uma vez, a prefeitura se esquivando de suas responsabilidades. Eu tenho certeza que ambos os empreendedores se disponibilizariam a auxiliar a prefeitura na melhoria da região. Afinal, para muitos, este será o primeiro contato com Bauru, terra sem limites, e nada melhor que uma boa primeira impressão para futuras parcerias...
Marcelo Castro - RG 24.982.166-7