Pyongyang - A Coréia do Norte acusou ontem os Estados Unidos de se prepararem para o início de um conflito nuclear, dizendo que o governo americano teria armazenado 1.000 bombas nucleares e pretendem posicioná-las na Coréia do Sul.
“Os EUA consideram a possibilidade de enviar à Coréia do Sul armas nucleares táticas e estratégicas para o caso de alguma contingência na península, acelerando assim os passos rumo a uma guerra atômica (...)”, relatou o Comitê Nacional da Paz da Coréia do Norte em declaração divulgada ontem pela agência de notícias oficial KCNA.
A Coréia do Norte realizou, em 9 de outubro, seu primeiro teste nuclear, que o regime de Pyongyang considerou “necessário” para aumentar seu potencial de dissuasão frente aos EUA. As declarações norte-coreanas ocorrem depois de Washington e Pyongyang concordarem, em 31 de outubro, em reunião em Pequim, em retomar o diálogo de seis lados sobre o programa nuclear norte-coreanos. As negociações multilaterais - das quais participam as duas Coréias, Estados Unidos, China, Rússia e Japão - estão estagnadas há um ano devido ao boicote norte-coreano, que exigia até agora a retirada de sanções financeiras impostas pelos EUA em setembro de 2005.
Ontem o embaixador da Rússia em Tóquio, Alexandre Lossiukov, disse que as negociações podem ser retomadas no início de dezembro.
Coréia do Sul
Ontem a Coréia do Sul anunciou que não tomará novas medidas visando à aplicação das sanções adotadas pela ONU depois do teste nuclear realizado em 9 de outubro. Seul se nega, em particular, a vistoriar embarcações norte-coreanas, tal como pede a ONU, para comprovar se estas transportam materiais usados na construção de armas nucleares.
A Coréia do Sul deveria enviar ainda ontem à ONU as medidas que irá adotar para pôr em prática as sanções decretadas em 14 de outubro pelo Conselho de Segurança da ONU.
Na sexta-feira passada, o ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul e futuro secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, disse que uma solução pacífica para a crise nuclear norte-coreana será “prioridade” para a organização.
O papa Bento XVI defendeu ontem a “desnuclearização da península coreana”, que abrange a Coréia do Norte e a do Sul, e pediu que o Japão mantenha os esforços de paz na região.
Ao receber ontem o embaixador japonês no Vaticano, o pontífice falou também sobre como resolver a crise na Ásia oriental - região que engloba China, Japão, Coréias do Norte e Sul e Taiwan - através de “negociações bilaterais ou multilaterais”, informou uma nota à imprensa.
O papa enfatizou também o papel da nação japonesa, que pode ajudar na pacificação da região. Foi a primeira vez que Bento XVI falou sobre atividades nucleares após o teste de 9 de outubro.