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Oposição diz que saída poupa Lula

Folhapress
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Brasília - O pedido de demissão de ex-ministro Luiz Gushiken do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência não convenceu a oposição. Como o Tribunal de Contas da União (TCU) deve apresentar à Justiça, no início do próximo ano, denúncia contra Gushiken pelo suposto desvio de R$ 11 milhões da Secom, os oposicionistas afirmam que Gushiken deixou o cargo para evitar que o segundo mandato do presidente comece com um escândalo e que essa estratégia foi combinada com o presidente Lula.

“Ele saiu para que Lula tenha mais facilidade de justificar as cartilhas. É menos um fato de perturbação. Se o Gushiken não estiver no governo, talvez a mentira de que Lula também não sabia de mais esta pareça mais fácil para a sociedade”, afirmou o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE). Para Freire, o presidente demonstrou que vai mudar de tática a partir de agora.

“Ele teve com Gushiken uma prevenção que não adotou com Palocci, que só deixou o cargo com a quebra do sigilo do caseiro, e José Dirceu, que saiu porque não tinha mais condições políticas de se sustentar. Agora, o presidente está se antecipando, talvez já prevendo alguma coisa”, disse Freire.

“Gushiken é uma repetição do velho, mas com uma característica nova porque sai antes do escândalo explodir.” O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), também avaliou que Gushiken deixou o governo porque foi “flagrado em ato de corrupção”.

“Do governo que começou não falta mais ninguém. As razões para a saída dele são múltiplas, vai desde o flagra por corrupção a conflitos ideológicos”, afirmou. “Se Lula quiser governar, tem que fazer uma limpa geral. O mínimo que poderia ocorrer é ele cair, como é que o presidente poderia manter quem reincide”, disse o líder da oposição na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).

Segundo fontes do TCU, as investigações sobre o desvio de recursos da Secom - que era chefiada por Gushiken- não serão encerradas neste ano porque os advogados dos acusados pediram mais prazo para apresentar defesa. A avaliação é que no primeiro semestre de 2007 a denúncia será apresentada à Justiça.

Até agora, o TCU descobriu que R$ 11 milhões foram utilizados pela Secom para confeccionar cartilhas de balanço do governo, mas que não foram entregues ao governo. O TCU suspeita que o material foi repassado ao PT para que o partido distribuísse as cartilhas como forma de diminuir custos para a União, mas ainda não conseguiu comprovar esta versão.

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