Economia & Negócios

São-paulinos esgotam camisas do clube

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A final antecipada do Campeonato Brasileiro está aumentando a renda de muitos comerciantes em Bauru. Caso vença o Atlético Paranaense no próximo domingo, o São Paulo levará o troféu depois de 15 anos. Com o time em alta, as lojas de artigos esportivos de Bauru já venderam quase todas as camisas oficiais do São Paulo. Até nos ambulantes está difícil encontrar.

Apesar de ter faturado o Campeonato Mundial Interclubes e a Taça Libertadores da América em 2005, o tricolor não ganhou nenhum título neste ano. E desde 1991, o clube da Capital não leva o Campeonato Brasileiro. Na liderança da competição há bastante tempo, é quase impossível o clube não levar o título. Por isso, é grande a animação da torcida para o confronto contra o time paranaense no estádio do Morumbi.

Lúcia Gomes, que cuida de uma barraca na esquina da Ezequiel Ramos com a Gustavo Maciel, comemora as vendas. “Hoje (ontem), as três camisas que sobraram eu vendi pela manhã. Só sobraram as de criança”, conta. De olho nos torcedores de última hora, ela já encomendou mais camisetas com o escudo do time. “Tudo do São Paulo vendeu: camisa, short, gorro”, comemora.

Nas lojas de material esportivo, as vendas também esquentaram. Mesmo custando cerca de R$ 140,00 - nos camelôs é possível encontrar camisetas por R$ 20,00 -, as camisas oficiais do time já estão em falta na cidade. Em um estabelecimento do Bauru Shopping já não existia nenhuma peça ontem. Em uma loja da rua Batista de Carvalho, o vendedor Ricardo Braga conta que entre anteontem e ontem vendeu seis camisas oficiais. “Nós costumamos vender isso em uma semana”, revela.

Em um estabelecimento da rua 7 de Setembro, as únicas peças que ainda não foram vendidas são as camisas de goleiro. “Esgotou, não temos mais nada. Vendemos umas 20 só nessa semana”, comemora o vendedor Mauro Pires. Ele conta que a loja já pediu mais peças, mas a fornecedora de material esportivo do time está com dificuldades em atender a demanda. Na falta das camisas oficiais, os uniformes de treino e de apresentação estão sendo muito procurados pelos torcedores. “Vendemos até todas as camisetes para meninas”, conta Pires.

Excursão

Com uma coleção de 12 camisas do São Paulo, o torcedor Paulo de Tarso Silveira não se preocupa em ficar sem o uniforme para o próximo domingo. Ele e mais 25 amigos estão tentando fechar um ônibus para ir à Capital acompanhar a partida. Em Bauru, torcedores também organizam excursões para São Paulo. Fretar um ônibus com 46 lugares, mais ingresso para a arquibancada do Morumbi, sai em torno de R$ 90,00 para cada um.

“Eu vou em vários jogos. Este ano, fui em umas cinco ou seis partidas da Libertadores. Só não fui na final, que perdemos para o Internacional”, conta Silveira. Apesar dos ingressos estarem acabando, ele e os amigos são sócios-torcedores do São Paulo, e por pagar mensalidade, possuem facilidades para comprar as entradas. “Eles possuem uma cota de ingressos para os sócios-torcedores”, explica. Se não conseguirem fretar um ônibus, ele e os colegas pretendem contratar uma van. “Se não der certo, vamos de carro mesmo. Fica um pouco mais caro, mas não vamos perder o jogo”, garante.

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Trabalhando no Morumbi

O jornalista - e são-paulino roxo - Emerson Luiz Moretto Sandi vai ter que controlar as emoções no próximo domingo, no Morumbi. Ele vai ao estádio, mas não poderá torcer como qualquer outro são-paulino. Sandi fará a narração da partida para a rádio Auri Verde.

“Tem que ser profissional. Não são todos os ouvintes que torcem para o São Paulo. Tenho que separar as coisas”, diz.

Mas ele sabe que é difícil deixar o espírito torcedor de lado. “Você tem que analisar. Será um jogo com estádio lotado, de decisão. Faz 15 anos que o São Paulo não ganha um Brasileiro. É muita expectativa”, observa.

Apesar disso, ele afirma gostar da situação. “O fato de trabalhar e torcer é mais gostoso”, garante.

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