Banheiro público é sinônimo de raridade em Bauru. Em toda a cidade, a reportagem contabilizou cinco locais com sanitários abertos à população. Além de serem poucos, suas condições para uso são precárias.
No banheiro da Praça Rui Barbosa, no centro comercial de Bauru, faltam iluminação, vidros nas janelas, produtos de higiene pessoal e, sobretudo, limpeza. “É muito sujo e o mau cheiro é forte demais. Acho que esse problema seria resolvido com mais sanitários aqui no Centro. Muitas vezes, tive que recorrer às lojas do Calçadão porque não consegui usar o banheiro da praça”, diz a ajudante-geral Sandra Lúcia Ferreira.
O vigia Jorge Kutait também reclama das condições do local. Para ele, o serviço é precário por conta do vandalismo praticado por alguns usuários. “Recentemente, uma moça quebrou os vidros da ala feminina atirando pedras na janela. Acho que deveria ter mais banheiro na cidade, mas as pessoas precisam preservar mais os sanitários que já existem”, observa Kutait.
Conforme agentes de limpeza do local, é comum usuários defecarem no chão e urinarem nas paredes, em vez de usar os vasos sanitários. Ainda segundo eles, o banheiro é ponto de encontro de homossexuais.
O banheiro da Praça Rui Barbosa funciona diariamente das 7h às 17h, gratuitamente. Até o último mês de maio, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), então responsável pela manutenção dos locais, cobrava taxa de R$ 0,20 por usuário.
Hoje, os sanitários públicos de Bauru são geridos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e não há mais cobrança de taxa para usá-los. Além da Praça Rui Barbosa, a prefeitura mantém banheiros públicos no Bosque da Comunidade, na Vila Universitária, Bosque do Geisel, no Núcleo Presidente Geisel, no Parque Vitória Régia e Praça dos Expedicionários.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Barbieri, é favorável a uma parceria público-privada para a manutenção dos espaços e, principalmente, para a viabilização de novos banheiros.
“É inviável essa situação, na qual o município acaba tendo que bancar totalmente os banheiros públicos sem ter nenhuma contrapartida. Só o banheiro da Rui Barbosa consome mais de mil rolos de papel higiênico em seis meses”, argumenta.
Barbieri explica que não defende a terceirização do serviço, mas uma gestão participativa. “Hoje, ficamos limitados a determinados tipos de ação. Fica difícil mantermos os já existentes e ainda mais implantarmos novos banheiros em áreas públicas”, completa.
O secretário frisa que os atos de vandalismo nos sanitários públicos do município têm dificultado a manutenção dos espaços. Segundo ele, os banheiros do Parque Vitória Régia têm de ser reformados todos os anos por conta das depredações que sofrem, principalmente à noite. Barbieri considera inviável manter seguranças nesses locais no período noturno, em razão do custo que o serviço representaria à prefeitura.