Bairros

Custo leva DAE a querer mais poços

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) espera contar com o maior número possível de poços artesianos em Bauru, além dos 28 já existentes, para abastecer a cidade. Mas para “não ir com muita sede ao pote”, contratou uma empresa para estudar os mananciais subterrâneos do município. O levantamento apontará quantos poderão ser perfurados, em quais pontos e a quantidade de água a ser retirada de cada um.

Atualmente, 58% dos 350 mil moradores da cidade são abastecidos pelos poços que retiram água do aqüífero Guarani. Os outros 42% dependem do rio Batalha. “A gente vai continuar tirando água do aqüí-fero. Provavelmente cada vez mais porque o Batalha está no limite. A vantagem da água subterrânea é que ela não precisa tratar, já é uma água mineral”, explica o diretor-técnico do DAE, Leandro Razuk Ruiz.

A maior utilização de rios emperra na viabilidade econômica. Bauru poderia, por exemplo, captar água do córrego Água Parada, num ponto a cerca de sete quilômetros da cidade, próximo ao novo aeroporto. No entanto, a retirada da água e bombeamento até Bauru dependem de recursos altos.

Se dinheiro não fosse problema, uma outra alternativa seria captar água no rio Tietê a cerca de 30 quilômetros de Bauru para ajudar no abastecimento da cidade. As obras, no entanto, especialmente em função da distância dos mananciais, demandam pelo menos cinco vezes mais investimentos que a perfuração de poços.

Preço

O custo de perfuração de cada poço oscila em torno dos R$ 500 mil. “Cada vez mais o município está deixando de usar água superficial para utilizar água subterrânea. A que custo vale a pena? Os rios estão num estado de degradação muito grande. Os poços acabam sendo mais baratos”, comenta Ivan Ivan Ferrazoli De Marche, biólogo do Instituto Ambiental Vidágua.

Mas de acordo com ele, se o estudo respaldar a perfuração de poços e indicar os locais adequados para isso, a obra deve ser executada. “Melhor furar e oferecer água à população do que, clandestinamente, as pessoas irem furando sem controle nenhum”, diz.

O estudo hidrogeológico contratado pelo DAE identificará ainda o potencial hídrico do aqüífero e dos poços. “É importante para se determinar as vazões máximas possíveis. A gente encomendou esse estudo para fazer um direcionamento na gestão de captação porque não podemos extrair mais do que está sendo carregado, para que essa água não falte no futuro”, conclui Ruiz.

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Profundidade

Os poços artesianos têm profundidades que variam de 300 a 500 metros, dependendo do local onde são perfurados. A vida útil de cada poço gira em torno de 25 anos. Depois desse período, o aço que reveste suas paredes começa a sofrer corrosão. A partir de então, é preciso revesti-las novamente, conforme já divulgou o JC.

Até agora, segundo o diretor-técnico do DAE, Leandro Razuk Ruiz, o critério utilizado para a perfuração de poços era a distância de 1,5 quilômetro um do outro. No entanto, esse fundamento é adotado sem o conhecimento exato do potencial do aqüífero. “O critério não será mais por distância, mas a possibilidade de abastecimento”, informa.

Estudos anteriores já mostraram que, em alguns casos, a distância por si só não garante um poço com boa produção de água e que esse único critério pode comprometer o aqüífero no futuro.

Da Redação

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