Pirajuí - O Pólo Industrial de Pirajuí está sendo alvo de disputa judicial em que o antigo dono das empresas que formam o Pólo, José Papile, acusa a Cooperdata, de São Paulo, atual proprietária, de má administração e o não pagamento da compra feita em 2004.
Conforme matéria publicada no JC do último dia 8, o Pólo vem passando por uma crise, com irregularidades inclusive na relação com trabalhadores cooperados. Em 2004, Papile alega ter vendido para a Cooperdata o controle da Metalúrgica Papile e outras quatro empresas ligadas a ela, formando uma unidade fabril com vários clientes.
Na época, segundo ele, a empresa tinha então quase 200 funcionários chegando a 400 com contratações temporárias além de faturamento em evolução e nome valorizado em todo o País.
“A Cooperdata participava da gestão antes mesmo de assumir a empresa. Na verdade, de março a maio fez auditoria”, informou Papile. Logo após, foi feito o arrendamento das empresas, onde a administração total teria ficado sob a responsabilidade da Cooperdata.
“Em agosto, me fizeram uma proposta de compra e assinamos o contrato em dezembro de 2004. Durante o período de arrendamento, de maio a dezembro, tiveram acesso a todas as informações fiscais, contábeis, tributárias, comerciais etc. Baseado nestes levantamentos elaboraram o balanço gerencial que faz parte dos contratos de compra e venda das empresas”, explica Papile.
Segundo ele, a empresa tinha impostos em parcelamento e débitos em negociação e a Cooperdata teria conhecimento desses débitos negociados. Dessa forma, a cooperativa teria assinado os documentos e assumido a responsabilidade pelas dívidas.
“Existiam impostos a serem pagos, mas eles já estavam previstos no valor da compra. Eles ficaram seis meses fazendo auditoria na empresa antes de fechar o negócio. Os impostos que deviam já estavam previstos e foram abatidos no valor da compra”, justifica.
De acordo com a presidente da Cooperdata em São Paulo, Maria Dulcelina Vaz da Costa, as dívidas apresentadas no balanço, na época da compra, seriam inferiores às que estariam sendo apresentadas agora.
“O balanço que ele nos apresentou, na época da compra, é um balanço insustentável. Os débitos tributados apontados no balanço não chegam nem um décimo do que está sendo apresentado agora”, relata.
Dessa forma, segundo ela, existe uma cláusula no contrato que permitiria à Cooperdata descontar do valor total da compra todas as dívidas não especificadas no balanço feito antes da compra. Costa revela que a empresa tem hoje cerca de R$ 3,5 milhões em dívidas tributárias e fiscais, supostamente anteriores ao período da compra da empresa.
“Eu vou descontar porque tem uma cláusula no contrato que me permite isso. Eu já paguei uma parte (da compra). Este ano que eu suspendi os pagamentos até que esta questão seja resolvida. Porque a quantidade de dívidas tributárias e fiscal que está sendo apurada é brutal”, alega a presidente, ressaltando que já foi pago pouco mais de R$ 1 milhão do valor total da compra.
O ex-proprietário do Pólo, no entanto, alega que a Cooperdata pagou apenas 6% do valor até agora e que a empresa estaria “quebrando” a unidade por má administração. “Não pagou imposto algum, não paga cooperados de forma correta e não pagou fornecedores corretamente. Irregular é a gestão que quebrou uma fábrica pujante”, acusa Papile.
Máquinas
Ele também se mostrou preocupado com o estado de conservação das máquinas da empresa. Segundo Papile, a cooperativa estaria impedindo que ele fizesse a verificação mensal das máquinas conforme consta no contrato de compra e venda.
“Eu tenho direito de entrar uma vez por mês nas empresas para fazer a verificação das máquinas e equipamentos. E eles nunca permitiram que eu fizesse isso, apesar de estar claro no contrato”, disse, ressaltando, em seguida, que teme que o maquinário seja vendido pela Cooperdata para quitar dívidas.
Questionada sobre o futuro do Pólo Industrial de Pirajuí, a presidente afirma que a Cooperdata tem interesse em manter os negócios na cidade. “Nós não pretendemos vender as máquinas porque nós temos interesse em manter a empresa. O que eu tenho com ele (Papile) é um contrato de compra e venda. O contrato tem cláusula que me dá o direito de contestar essa quantidade de dívidas que apareceu após a compra. Eu não tenho interesse nenhum em vender máquina nenhuma porque eu acho que agora é uma questão que a Justiça vai decidir”, conclui.
____________________
Afastamento
Em resposta à alegação da presidente da Cooperdata, Maria Dulcelina Vaz da Costa, que disse em matéria publicada pelo JC na semana passada que a cooperada Luciane Rosa Pinheiro teria se desligado da cooperativa a seu pedido, Pinheiro alega que teria sido afastada de forma arbitrária.
“Não sou empregada da diretora, sou cooperada, integrante do Pólo e nele posso e devo permanecer. Não recebi e nem nunca pedi qualquer orientação dela, muito menos convite. Não dou a ela o direito de se investir na função de minha tutora ou orientadora, já que nem da empresa e suas contas a direção cuidou de forma correta”, contesta.