Brasília - Apesar dos sinais de acordo entre governo e oposição na CPI do Sanguessugas, o senador Amir Lando (PMDB-RO), relator da comissão, não descartou ontem pedir os indiciamentos dos ex-ministros da Saúde Barjas Negri (PSDB) e Humberto Costa (PT).
A CPI investiga a ligação de quatro ex-ministros da saúde com a máfia dos sanguessugas: Barjas, Costa, José Serra (PSDB) e Saraiva Felipe (PMDB). “Não vejo nada contra o Serra ou contra o Felipe. Agora, nos outros dois casos (Barjas e Costa), eu tenho de avaliar com mais cuidado”, afirmou, depois de ser questionado se pediria seus indiciamentos.
Barjas Negri é acusado pela família Vedoin de liberar recursos para o esquema dos sanguessugas mediante pagamento de propina a um amigo seu. Humberto Costa também é acusado de liberar dinheiro para os Vedoin por meio de pagamento de propina a pessoas supostamente ligadas a ele. Os dois negam as acusações.
A família Vedoin é apontada como a chefe da máfia que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras, esquema que ficou conhecido como dos sanguessugas. O relatório final de Amir Lando deve ser apresentado no próximo mês. O senador já afirmou que não deve apresentar nenhuma novidade em relação ao relatório preliminar de agosto, que apontou o envolvimento de 72 parlamentares com o esquema. “É difícil produzir um relatório com mais 72 pessoas. Talvez o relatório final cause alguma frustração”, disse Lando. Suas declarações refletem um clima de desânimo na comissão.
Ontem a reunião marcada para a votação de cerca de 300 requerimentos, que incluíam quebras de sigilo e convocações, foi adiada sob o argumento de que o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), não conseguiu chegar a tempo a Brasília. Na verdade, não houve quórum. Desde agosto, quando aprovou o relatório preliminar, a CPI realizou apenas uma sessão para votar requerimentos. As especulações sobre o suposto acordo entre governo e oposição para diminuir o ritmo do trabalho levaram PV, PSOL e PPS a pedir a prorrogação do final da CPI de 22 de dezembro para o final de janeiro.
Os três partidos questionaram formalmente os plenários da Câmara e do Senado sobre a possibilidade de prorrogação. Caso o regimento autorize, PV, PSOL e PPS vão tentar reunir um terço das assinaturas de deputados e senadores para prorrogarem os trabalhos. “Essa é uma ação de resistência contra qualquer suposta tentativa de pizza ou acordão”, disse o vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE).