Brasília - Os principais aeroportos do País tiveram atrasos e cancelamentos de vôos, mas a situação permaneceu tranqüila no feriado. Houve ao menos um cancelamento em Brasília, 20 no Rio de Janeiro, quatro em Confins (Grande Belo Horizonte) e dois em São José dos Pinhais (Grande Curitiba). A Capital federal teve também 54 atrasos.
Mas o maior intervalo foi em Porto Alegre, onde uma aeronave saída de Brasília pousou 4h10min após o previsto. No aeroporto internacional do Rio, todos os vôos foram afetados, mas não houve transtornos. Segundo a Infraero, das 7h às 18h, de 76 vôos, 20 foram cancelados e 56 tiveram atrasos, com média de 45 minutos. Em Brasília, os atrasos afetaram no mínimo 54 aeronaves até as 18h30 de anteontem. Um vôo da Varig para Congonhas, São Paulo, foi cancelado.
O transtorno não foi suficiente para exaltar os ânimos, segundo funcionários e passageiros. O número de vôos atrasados, porém, foi calculado com base nas planilhas fornecidas na Internet pelas empresas, que podem ter erros, diz a Infraero. A empresa não dispunha de pessoal para prestar informações sobre os atrasos ontem.
O presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, também não atendeu aos telefonemas. Em Confins (MG), houve quatro vôos cancelados e 13 atrasos, com média de uma hora e meia. Já no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), dos 106 vôos de ontem, dois foram cancelados; 34 registraram atrasos de, em média, 50 minutos. Em Congonhas, os 32 atrasos das 9h às 19h tiveram média de uma hora.
O maior problema foi para Brasília, pela TAM, com 3h20min. Em Guarulhos, houve 15 atrasos das 11h às 19h, com média de duas horas.
A Força Aérea Brasileira (FAB) suspendeu às 18h30 de ontem o aquartelamento de 149 controladores de tráfego aéreo do Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), com sede em Brasília.
O “plano de reunião”, como é definido pela FAB, havia sido acionado anteontem para pôr fim aos atrasos que atingiam os vôos em todo o País, causados pela falta de operadores. Segundo a FAB, o aquartelamento foi suspenso porque a situação já estaria normalizada nos aeroportos e as escalas de controladores completas.
Ontem, no entanto, os atrasos continuaram nos aeroportos de São Paulo e Brasília, onde os vôos atrasaram, em média, 40 minutos. Ontem foi o quinto dia seguido de atrasos. No fim do mês passado e no feriado prolongado de Finados , uma operação-padrão - aumento do intervalo entre decolagens e diminuição no número de vôos por controlador - realizada pelos operadores de tráfego aéreo causou atrasos generalizados nos pousos e decolagens.
Os problemas na escala do Cindacta 1 são agravados pela ausência de diversos controladores, afastados por problemas de saúde desde o último dia 29 de setembro, quando um Boeing da Gol caiu em Mato Grosso e matou 154 pessoas.
Queda no movimento
Sem perspectiva de que a crise no controle do tráfego aéreo termine antes do fim do ano, a Associação Brasileira dos Operadores de Turismo (Braztoa) avalia que o setor deve perder de 5% a 10% nas vendas antecipadas de pacotes de viagem para o Natal e o Réveillon.
De acordo com o presidente da entidade, José Zuquim, as operadoras de turismo costumam começar dezembro com 50% a 60% dos pacotes já comercializados. Neste ano, a expectativa é que as vendas antecipadas cheguem a 45% no início do mês. Na avaliação de Zuquim, houve uma pequena refreada no setor, mas as operadoras esperam a atuação do governo federal para que o tráfego aéreo volte à normalidade.
Uma das sugestões de Zuquim é a participação da sociedade civil organizada, especialmente de entidades ligadas ao turismo, no conselho consultivo da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). “Precisamos entender o funcionamento da Anac para dar sugestões ou criticar, se for preciso”, comentou.
Algumas agências de viagem estão tendo dificuldades para vender pacotes para o fim do ano por conta da crise. De acordo com operadoras de turismo ouvidas pela reportagem, muitos clientes estão adiando a decisão ou até desistindo de viajar para evitar transtornos nos aeroportos, como o que ocorreu no feriado do Dia de Finados.
Entidades que representam a indústria também estão preocupadas com a crise e prevêem prejuízos para o turismo. Em nota divulgada ontem, representantes do setor ressaltaram que o aumento do tempo das viagens aéreas e as incertezas que o quadro atual gera “trazem importantes implicações à atividade econômica”. Entre os problemas que a crise pode causar para a indústria nacional estão a desorganização nas agendas de negócios em decorrência do aumento no tempo da viagem e o impacto na produção das indústrias usuárias do transporte aéreo, especialmente na distribuição dos produtos fabricados.