Política

Veículos são abandonados após esvaziamento da Sear

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A transferência de serviços da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) para as pastas de Meio Ambiente (Semma) e Obras, no início desde ano, não foram acompanhadas da necessária destinação de equipamentos, sobretudo a frota. O JC apurou ontem que máquinas e caminhões, os poucos que a secretaria detinha, estão abandonados em pátios de Regionais que também foram extintas, como a sede do Jardim Redentor.

Conforme informações levantadas pela reportagem, a retirada de serviços da Sear para outras áreas deveria ser acompanhada do deslocamento de equipamentos, mas alguns permanecem sem utilização na secretaria de origem até hoje, pelo menos cinco meses depois.

O curioso é que alguns desses equipamentos geraram gastos com revisão e manutenção ao longo de 2005, quando a administração municipal divulgou que era necessário recuperar, ainda que de forma emergencial, alguns veículos para voltar a ter condições mínimas de trabalhar. Isso aconteceu com a Sear e a ampliação de ações como a operação tapa-buracos foi uma das medidas que atendeu a essa necessidade, por exemplo.

Mas basta uma visita ao pátio onde funcionava a Administração Regional do Jardim Redentor para a localização de duas máquinas (uma patrol) e um caminhão, este em situação de sucateamento. Os veículos seriam considerados sem condições de uso, pelo tempo de uso.

Entretanto, o JC apurou que o caminhão nº. 510, por exemplo, abandonado na extinta Regional do Redentor há cerca de cinco meses, sofreu vários reparos desde o início do ano passado até maio deste ano. Conforme informações levantadas a ex-integrantes da Sear, este veículo teve, pelo menos, diversas notas fiscais emitidas com despesas em componentes como o compressor, motor, motor de partida, vazamento no carter, troca de correia e de óleo do motor, revisão do chicote elétrico, entre outros. A substituição dos chicotes, por sinal, conta com duas notas fiscais para a mesma viatura de número 510, uma de maio e outra de julho deste ano, conforme apurou o JC.

A oficina utilizada pelos serviços da Sear, ao longo de 2005, em geral é sempre a mesma. Isso não quer dizer que exista irregularidade na operação. Mas até mesmo entre integrantes da pasta há curiosidade em saber se os gastos constantes em diversas notas fiscais foram efetivamente realizados.

As despesas foram distribuídas em notas de maio, junho, julho, setembro, novembro e dezembro de 2005, além de outras em janeiro e maio de 2005, quando o caminhão passou a ser uma espécie de sucata no pátio da Regional Redentor.

Se as despesas forem condizentes com os serviços prestados, situação que será apurada em auditoria municipal em andamento, o curioso é saber porque este veículo, assim como outros, não estão mais sendo utilizados, o que pode configurar caso de desperdício, no mínimo.

O Gabinete da Prefeitura de Bauru comenta que todas as ocorrências de despesas de janeiro de 2005 até agora estão sendo objeto de auditoria, além de sindicância administrativa. Com a finalização dos trabalhos, o governo vai determinar a destinação dos veículos. O que for sucata pode ser encaminhado para leilão e o que for aproveitado será objeto de recuperação, informa Paulo Canalli.

O aproveitamento ou não dos veículos que contaram com despesas de oficina e manutenção, neste período, será verificado com a revisão da ficha de controle de quilometragem e saídas.

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