Regional

Garça quer sobretaxar água e reduzir consumo

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Garça - O longo período de estiagem vai prejudicar o abastecimento de água em Garça (70 quilômetros de Bauru). A falta de chuva fez com que diminuísse a vazão d’água do Córrego Barrero em cerca de 50%, principal manancial de captação do município. Com o rebaixamento do lençol freático, tanto as minas de água quanto a represa da cidade estão com a capacidade abaixo do normal. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) pretende tomar medidas preventivas para tentar evitar a falta d’água, atacando o desperdício.

Como medida emergencial, o município baixou uma portaria proibindo as pessoas de lavarem as calçadas e veículos na rua, no período das 7h às 19h. Porém, já se percebeu que o efeito será insuficiente. Para o diretor superintendente do Saae, Cláudio Travassos Delicato, é inevitável diminuir o consumo estabelecendo uma “mordida” no bolso de quem se excede.

“Nós estamos prevendo a possibilidade de cobrar uma sobretaxa para aumento de consumo, além da média das ligações. Estipular um mínimo de percentual de redução e quem não atingir este percentual pagaria uma sobretaxa”, defende o diretor.

Ainda neste mês, segundo Delicato, será feita uma reunião para estudar a possibilidade de se implantar a cobrança como medida emergencial, caso a situação não melhore.

A multa para quem descumprir a portaria que proíbe lavar calçadas e automóveis foi estipulada em R$ 85,00, podendo ser o dobro em caso de reincidência.

“Tem um funcionário que faz o serviço do dia-a-dia e ele tem uma câmera fotográfica que registra a infração. A medida começou a ser aplicada no início de outubro. No geral, conseguimos ter uma redução em torno de 10% na produção de água”, comenta.

Atualmente, o consumo médio de água no município é de nove milhões de litros/dia. De acordo com o diretor, são cerca de 14,5 mil pontos de ligação de água que abastecem cerca de 44.396 mil habitantes.

Escassez

O risco da falta d’água é um processo que vem se agravando. “Com o rebaixamento do lençol freático, nós estamos sobrecarregando a captação do córrego Barrero. E o córrego também está mais baixo em função da estiagem. Ele diminuiu a vazão em pelo menos 50%”, preocupa-se o diretor superintendente do Saae, Cláudio Travassos Delicato.

Segundo ele, o órgão trabalha com o sistema de captação de superfície, ou seja, não existem poços de água em Garça, o líqüido é retirado do Córrego Barrero e de minas.

Com a estiagem, onde não chove o suficiente para aumentar a vazão do manancial, o nível da represa da Fazenda Cascata é crítico. O reservatório recebe a água bombeada do córrego e das minas localizadas na mesma, fazendo numa área de 16 alqueires. “Esta água é acumulada em um tanque e dele é bombeada para a cidade, para a Estação de Tratamento de Água (ETA), localizada na Vila Willians”, explica.

Segundo o diretor, hoje toda a água do rio está sendo bombeada para o município. “Praticamente estamos usando toda a vazão do córrego, que também está baixo. E como as chuvas não tiveram início ainda, a situação é preocupante”.

Problema ano a ano

Ele explica que o problema vem se agravando deste 1999 e que não será resolvido com apenas uma temporada de chuva, por isso a preocupação. “O problema nosso não é de um ano. Teria que ter temporadas de chuvas”, comenta, lembrando que as chuvas já deveriam ter começado no final de outubro e estão atrasadas.

A última vez que houve precipitação de chuva na cidade teria sido no início deste mês, mesmo assim, de pouca relevância.

Como se não bastassem essas preocupações, o diretor lembra que a situação se agrava ainda mais com o aumento do calor e, conseqüentemente, a evaporação da água e aumento do consumo do pela população.

“Nós achamos que, com as chuvas de agora, conseguiremos pelo menos passar o verão, mas a preocupação é a médio e longo prazos”, conclui.

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