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Daniel Filho dilui a subversão de seu filme com soluções fáceis e populares

Folhapress
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Costuma-se apontar o longo hiato entre um longa-metragem e outro como um efeito pernicioso das condições de trabalho para cineastas no Brasil, mas a situação não se aplica a Daniel Filho. “Muito Gelo e Dois Dedos D’Água” é o segundo filme dirigido por ele a estrear num período de dez meses, em seguida ao bem-sucedido “Se Eu Fosse Você”, e o quarto nos últimos cinco anos - “A Partilha” (2001) e “A Dona da História” (2004) são os outros.

Cinema de compromisso popular, com a chancela da Globo Filmes, atores de prestígio adquirido (ou consolidado) na escola de teledramaturgia da emissora e doses de humor em tramas de identificação imediata com o grande público.

Quem gosta de sucesso de crítica é cineasta com pretensões de autoria; Daniel Filho prefere filas nas bilheterias.

Embora se mantenha fiel às linhas gerais da estratégia, “Muito Gelo” tem humor mais apimentado, politicamente incorreto. Mais ousado, portanto, ao experimentar variação que, em tese, atrairia parcela maior do público jovem.

Sim, porque é jovem o argumento, bem como a maior parte do elenco. Roberta (Mariana Ximenes) e Suzana (Paloma Duarte) foram massacradas, na infância, pela avó (Laura Cardoso). Agora, querem acertar as contas com a velha.

O cenário é a antiga casa de praia onde eram submetidas à tirania da avó; os coadjuvantes são um advogado (Ângelo Paes Leme) e o marido de Suzana (Thiago Lacerda).

Falam-se palavrões e cunham-se expressões obscenas segundo a naturalidade com que são ouvidos no cotidiano, e a concretização do desejo de vingança atende a uma perversa expectativa da platéia: aquela velha precisa mesmo sofrer.

“Muito Gelo” se deixa levar também por uma linha mais simplória, como a da longa seqüência em que Lacerda foge de um cão. Procedimento fácil que suaviza o conjunto, reduz o que ele tem de subversão e o deixa aguado, como um drinque com o acompanhamento do título.

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