Bairros

Com expectativa de vida maior, câncer de pele é mais comum

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Quem abusou do sol na juventude, mas depois se privou dele por anos e anos na tentativa de adiar as temidas rugas não está livre do fantasma do câncer de pele. Como o efeito da radiação ultravioleta é cumulativo, mesmo após desistir do bronzeado, as alterações na pele podem se manifestar. Não por acaso, a doença é diagnosticada especialmente nas pessoas cuja faixa etária está acima dos 50 anos.

“O aumento na expectativa de vida aumenta a probabilidade de câncer de pele”, diz Fernando Monti, médico do Instituto Lauro de Souza Lima, onde hoje será realizado um mutirão para identificar casos suspeitos. A relação (idade x riscos) também é confirmada pelo dermatologista Ivander Bastazini, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Quanto mais velha a pessoa é, mais chance ela tem de ter câncer. Mas existem outros parâmetros, como a profissão. Carteiro e trabalhador rural, por exemplo, passam o dia sob o sol”, comenta. As chances também aumentam para quem tem pele e olhos claros - além dos ruivos, dos que têm sardas e daqueles com casos de câncer de pele na família.

Em geral, 10% do total de pacientes submetidos a exames clínicos realizados em mutirões no Instituto Lauro de Souza Lima apresentam a doença, informa Bastazini. “Muitas pessoas notam alteração na pele, mas têm medo de procurar o médico (e receber o diagnóstico de câncer)”, explica. Porém, quanto mais tardia a identificação do problema, maior a chance do tratamento ser agressivo.

Cirurgia

O paciente ainda corre o risco de procurar assistência quando já é tarde demais. O tratamento, normalmente, é cirúrgico - para a retirada da lesão, comenta Fernando Monti. O procedimento foi indicado no caso de um paciente de 74 anos, que concedeu entrevista, mas pediu para não ter o nome divulgado.

“Há uns três ou quatro anos começaram a sair umas crostas na minha testa. Periodicamente, eu acompanhava. Depois, o médico entendeu que um dos pontos era câncer e fez a cirurgia”, conta. Ele confessa, no entanto, que foi muito relaxado na juventude e não se protegia do sol. “Só quando ia à praia”, admite. Atualmente, recomenda protetor solar a todos.

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Mutirão

A Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, organizou para hoje um megamutirão para diagnóstico de câncer de pele. Por participar, o Instituto Lauro de Souza Lima atenderá qualquer pessoa que suspeite de problema de pele.

Não haverá restrição de idade e sexo, além de não ser preciso agendamento, informa a assessoria de imprensa da secretaria. O atendimento será das 9h às 15h. Os interessados serão submetidos a exames clínicos. Uma vez identificada qualquer lesão suspeita, serão orientados e encaminhados para tratamento.

A pele é o maior órgão do corpo humano em extensão e volume. Por estar em constante contato com o meio exterior é sujeita a uma série de agressões, sendo o principal agente a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta do sol.

Embora o câncer de pele seja o tipo mais freqüente da doença, correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, quando detectado precocemente apresenta altos percentuais de cura. A doença é relativamente rara em crianças e negros, com exceção daqueles que apresentam doenças cutâneas prévias.

• Serviço

O Instituto Lauro de Souza Lima fica entre os quilômetros 225 e 226 da rodovia Comendador João Ribeiro Barros.

Da Redação

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