Gália - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) enviou nesta semana a documentação necessária para a Justiça Federal de Marília com o objetivo de conseguir a emissão da Fazenda Lutéia para fins de reforma agrária.
Localizada em Gália (120 quilômetros de Bauru), a propriedade já é considerada improdutiva pelo órgão e foi invadida na semana passada por cerca de 80 famílias do Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST).
A polícia de Gália registrou, nesta semana, dois incidentes em dois dias consecutivos. Um indivíduo foi agredido a pedradas por um grupo de pessoas que estavam na fazenda.
Segundo o delegado de polícia de Gália, Rogério dos Santos Gimenes, o primeiro confronto ocorreu na noite da última quarta-feira. José Eduardo da Silva Silva, 55 anos, teria levado várias pedradas, agressão que a vítima atribui a integrantes do MST acampados na área.
Silva foi socorrido por uma pessoa que o acompanhava. Ferido, ele foi levado para o Hospital das Clínicas (HC) de Marília onde ficou internado. No dia seguinte, quinta-feira de manhã, a PM recebeu uma denúncia anônima, por telefone, de que teriam ocorrido disparos de arma de fogo na fazenda.
Policiais compareceram no local, mas não encontraram nenhuma arma. “Foi registrado um Boletim de Ocorrência tanto da agressão quanto dos supostos disparos de arma de fogo”, explica o delegado. Segundo Gimenes, será instaurado inquérito para apurar o caso. “Muito embora fique difícil já que não encontrou-se nenhuma arma”, comenta o delegado.
Não se sabe ainda o motivo da agressão. Extra-oficialmente, o JC apurou que o motivo do desentendimento estaria ligado ao corte no fornecimento de água, possivelmente pelos sem-terra, para uma área arrendada nas proximidades da fazenda e que pertenceria a um dos rapazes que foi tomar satisfação.
Não se descarta a possibilidade do segundo incidente estar ligado ao primeiro. Suspeita-se que pessoas da cidade possam ser os autores dos disparos. “Uma das suspeitas é que, como houve agressão na noite anterior, alguns indivíduos teriam ido tirar pronta”, diz Gimenes.
Briga pela terra
A Fazenda Lutéia, conhecida atualmente como Boi Bravo, foi invadida pelo MST no início deste mês. As famílias formam o grupo denominado Margarida Maria Alves, batizado em homenagem a uma integrante do movimento, que teria morrido em confronto.
Os sem-terra vieram em 2004 do município de Presidente Alves e acamparam na região. Neste período, a propriedade já havia sido invadida por outros integrantes do MST. Entre os invasores, há cerca de 50 crianças, homens, mulheres e idosos.
A área também seria alvo de disputas entre duas pessoas que se dizem proprietárias. Agora, o MST também reivindica a posse da área de 286 hectares.
Segundo informou a asssessoria de imprensa do Incra, a fazenda foi avaliada e classificada como improdutiva.
O Incra entrou com uma ação junto à Justiça Federal de Marília para a emissão da fazenda, ou seja, a transmissão da área ao instituto para fins de reforma agrária.
Ainda de acordo com a assessoria, toda a documentação para desapropriar a área rural foi enviada para a Justiça Federal de Marília anteontem.