Araraquara - A universitária Carla Sobrado Cassalle, 21 anos, morreu anteontem vítima de complicações desencadeadas pela anorexia nervosa e bulimia. Ela estava internada na Beneficência Portuguesa em Araraquara (117 quilômetros de Bauru) desde segunda-feira e faleceu por volta das 5h.
A garota era estudante universitária do curso de moda, em São Paulo, onde residia com uma tia. O corpo da jovem araraquarense foi enterrado ontem, às 9h, no Cemitério São Bento.
De acordo com a tia, ultimamente, Carla não freqüentava a universidade por conta dos graves problemas de saúde. Segundo ela, a garota lutava contra a anorexia e a bulimia há cinco anos. “Fizemos tudo o que foi possível. Ela foi internada várias vezes em clínicas, inclusive, ficou um grande período sendo monitorada por enfermeiras 24 horas, que a auxiliavam para que não vomitasse. Ela era uma menina muito bonita, alegre e inteligente”, garante.
A tia da jovem conta que, em muitos momentos durante o tratamento, a moça apresentou melhora considerável. “Ela chegou a engordar e afirmava que estava se sentindo bem. Mas, esta doença, infelizmente, é cíclica, vai e volta”, lamenta.
Preocupada com o estado de saúde da sobrinha, a tia revela que, muitas vezes, denunciou médicos que receitaram à jovem remédios para perder peso. Segundo ela, Carla usou muitos remédios.
“A pessoa que sofre de anorexia distorce a própria imagem. Mesmo sendo magra, ela se sente gorda. Por isso, quem sofre com esta doença não pode tomar os remédios por não estar bem psicologicamente”, explica.
Colegas de Carla contam que a jovem era muito vaidosa e que adorava participar de festas. A última vez que a encontraram foi por volta do mês de maio ou junho deste ano. “Nós até pensávamos que ela estava fora do País, na Itália. Era isso o que ela falava. Só agora ficamos sabendo que ela estava internada. Ela usava manequim 34 e se achava gorda. Lamentamos muito.”
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Paciente rebelde
A firmeza do paciente ao tratamento de anorexia é muito complicada porque, muitas vezes, a pessoa não aceita que está doente. Essa é a visão do psicólogo Carlos Eduardo do Carmo Oliveira, que já tratou de jovens com o mesmo sintoma há cerca de um ano.
Ele explica que, em linhas gerais, o diagnóstico não é difícil de ser dado porque o paciente apresenta padrões de comportamento que expõem o problema. Entre os principais fatores está a busca excessiva pela beleza, forma física e rejeição dos alimentos.
Oliveira explica que um tratamento deste tipo, geralmente, leva anos e deve ser realizado por uma equipe interdisciplinar, com médico, psiquiatra, terapeuta ocupacional, nutricionista, terapias alternativas como acupuntura e, claro, psicólogo.
Para ele, geralmente, a anorexia é criada na infância e desenvolvida na adolescência em razão dos padrões regulares de beleza. “Chamamos isso de distonia, que nada mais é do que um erro alto da percepção”, diz, explicando que mesmo estando magra, ao se olhar no espelho, a pessoa se vê gorda.
Cláudio Dias, da Tribuna Impressa, especial para o JC