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Jovem consumia diuréticos para emagrecer

Cláudio Dias, da Tribuna Impressa, especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - O site de relacionamentos Orkut foi a principal fonte de pesquisa da estudante universitária Carla Sobrado Cassalle, de 21 anos, para buscar informações sobre remédios diuréticos. O pai de Carla, o engenheiro civil Antônio Carlos Cassalle, não sabe como ela comprava esses remédios sem receita ou qualquer acompanhamento médico.

“Até semanas atrás, ninguém sabia a origem dos medicamentos”, diz, lembrando que ela chegava a tomar um vidro inteiro de diurético para emagrecer rapidamente.

A estudante universitária estava internada no Hospital Beneficência Portuguesa, em Araraquara, desde segunda-feira, depois de sofrer duas paradas cardíacas. O pai diz que a menina não aceitava a doença e passava horas no computador.

“Ela preferiu tomar remédios ao invés de fazer ginástica.” Ela media 1,70 metro e pesava 45 quilos. Na fase mais crítica, há um ano, chegou a pesar 38 quilos. Cassalle conta que o problema da jovem com a balança começou há cinco anos.

Ele não tinha muito contato com a filha, que morava com a mãe e os avós. “Nós sabíamos que ela tinha anorexia e a alertávamos, mas ela nunca quis tratamento efetivo”, diz o engenheiro.

A garota, natural de Araraquara, estava no terceiro ano do curso de Moda da Faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) não diagnosticou a causa da morte. O laudo só será concluído após alguns exames de anatomia, patologia, toxicologia, entre outros, que serão realizados no Instituto, em São Paulo. Não existe data para conclusão.

Preocupada com o estado de saúde da garota, no começo do ano, a mãe e os avós fizeram a universitária trancar a faculdade de moda para que o tratamento fosse realizado sob supervisão, em Araraquara. “Ela nunca aceitou que estava doente e achava que isso era implicância nossa”, diz um tio, que prefere o anonimato.

Colegas de Carla não comentaram sobre a origem dos medicamentos ilegais, só disseram que ela era muito vaidosa e adorava festas. Um psicólogo que acompanhou a estudante por quatro meses não quis comentar o caso. Ele apenas declarou que a jovem resistia muito ao tratamento.

Ainda segundo o tio, que acompanhou o processo de desintoxicação da universitária, ela foi internada quase 20 vezes e chegou a ser monitorada por enfermeiras durante 24 horas, na tentativa de que ela não vomitasse.

Em seu Orkut, dezenas de amigos deixavam mensagens de carinho e saudades. Alguns pediam notícias sobre o motivo da morte. Em seu perfil, a jovem se qualifica como uma moça “não perfeita”. Para o tio, talvez o convívio com o mundo da moda possa ter confundido a sobrinha, que buscava alguns padrões estereotipados de beleza.

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