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Bispos atacam partidos e o Bolsa Família

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella, condenou ontem as negociações dos partidos aliados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que envolvem a distribuição de cargos em troca de apoio. Majella disse que a nomeação dos novos ministros não pode ser tratada pelos partidos “como se estivessem dividindo o preço” da eleição de Lula e defendeu que as siglas tenham “coragem” para demonstrar “desprendimento” nestas negociações.

“Acho duro quando ouço que em troca de apoio se oferece emprego, ministérios. Acho muito duvidoso. Os partidos deviam ter a coragem, o desprendimento e não querer participar (do governo) como se estivesse dividindo o preço (da eleição de Lula). (A composição do novo governo) deve ser um trabalho de grande desprendimento para se construir um Brasil maior e melhor”, afirmou.

Dom Aldo Pagotto, presidente da Comissão Episcopal Pastoral da Ação Social, afirmou que a CNBB está preocupada com a forma como o presidente Lula vem discutindo a composição do seu próximo governo. A negociação no varejo, segundo ele, “fica com gosto de decepção, amargura”. Embora tenha defendido um governo de coalizão, o presidente Lula até agora não conversou institucionalmente com os partidos aliados, exceto o PT.

Bolsa Família

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil criticou também o Bolsa Família, principal programa social do governo Lula. Para a entidade, o programa “vicia” e não estimula as pessoas mais pobres a procurar emprego. Dom Aldo Pagotto, que verbalizou as críticas, disse que a opinião da maioria dos bispos da Igreja Católica é que se não houver mudanças “o programa não vai levar a nada”.

O bispo disse que atua em João Pessoa (PB) e que tem observado que o Bolsa Família - pelo qual o governo distribui dinheiro para famílias de baixa renda- por não exigir contrapartidas tem efeito maléfico sobre os mais pobres. “Não estamos muito satisfeitos com o programa como está. Há pessoas no Nordeste que não querem mais trabalhar, que se contentam com o mínimo (recebido pelo programa)”, disse. Conforme o bispo, o programa tem levado seus beneficiários a uma “acomodação”, pois não estimula o agrupamento de pessoas, pois trata-se de uma ajuda pessoal. “No campo há uma favelização”, disse.

Dom Aldo sugeriu ao presidente Lula que “escute mais o povo” e reveja o Bolsa Família. “Nossas críticas são construtivas. Não é para combater o programa, as intenções são boas, mas questionamos a metodologia”, disse. Como sugestão, a CNBB sugere que o governo obrigue as pessoas que recebem o benefício a participar de cursos profissionalizantes. O ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome -responsável pelo programa- informou que irá divulgar nota para rebater as críticas.

A CNBB também condenou as negociações dos partidos aliados com o presidente Lula que envolvem a distribuição de cargos em troca de apoio. Majella disse que a nomeação dos novos ministros não pode ser tratada pelos partidos “como se estivessem dividindo o preço” da eleição de Lula e defendeu que as siglas tenham “coragem” para demonstrar “desprendimento” nestas negociações.

“Acho duro quando ouço que em troca de apoio se oferece emprego, ministérios. Acho muito duvidoso. Os partidos deviam ter a coragem, o desprendimento e não querer participar (do governo) como se estivesse dividindo o preço (da eleição de Lula). (A composição do novo governo) deve ser um trabalho de grande desprendimento para se construir um Brasil maior e melhor”, afirmou.

Dom Aldo Pagotto afirmou que a CNBB está preocupada com a forma como o presidente Lula vem discutindo a composição do seu próximo governo. A negociação no varejo, segundo ele, “fica com gosto de decepção, amargura”. Embora tenha defendido um governo de coalizão, o presidente Lula até agora não conversou institucionalmente com os partidos aliados, exceto o PT.

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