São Paulo - O governador reeleito do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), criticou ontem a iniciativa de alguns governadores de sua legenda em marcar uma reunião e disse que diálogo entre o Palácio do Planalto e o PMDB deve ser “institucional”.
Hartung também confirmou a articulação de um bloco de governadores para negociar, em bloco, uma agenda de reformas com o Planalto.
“Eu acho que antes dos governadores do PMDB se reunirem para discutir uma agenda dos senadores e deputados federais é importante saber o objetivo dessa conversa. E eu acho que quem inicia essa conversa é o presidente da República, agora de uma forma correta, de uma forma institucional”, disse ele, após um encontro com o governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na capital Belo Horizonte.
“Eu, o governador Aécio, o governador Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), que esteve aqui e esteve no Espírito Santo, e o governador José Serra (São Paulo), acho que podemos construir uma agenda regional em vários aspectos que precisamos avançar e contribuir com a agenda nacional”, acrescentou.
Hartung negou que haja uma divisão entre os governadores do PMDB e que conversou por telefone com “quase todos”, identificando um “entendimento” de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “acertou” em marcar um encontro o presidente da legenda, o deputado Michel Temer (SP) para a próxima semana.
“Agora, é ver o conteúdo”, comentou ele, sobre a reunião entre Temer e Lula. Ele acredita que a legenda pode desempenhar um papel de “distensão” no cenário político, porque “o PMDB esteve no governo Fernando Henrique e deu uma colaboração importante. E esteve no primeiro governo do presidente Lula”.
A reunião entre os governadores do PMDB aconteceu ontem e hoje, em Florianópolis (SC), mas estará bastante desfalcada. Dos dez convidados, quatro decidiram não comparecer. São eles: Sérgio Cabral (RJ), Eduardo Braga (AM), Marcelo Miranda (TO) e Paulo Hartung (ES).
A reunião é uma iniciativa do governador eleito de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, para discutir a posição do PMDB no segundo mandato do presidente Lula.