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CSN oferece U$ 8 bi pela Corus

Folhapress
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São Paulo - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) quer comprar a siderúrgica anglo-holandesa Corus. Ontem, a empresa brasileira tornou pública uma oferta de compra da concorrente equivalente a 4,75 libras por ação (US$ 8,99). Se a oferta for aceita, o preço da aquisição poderá ultrapassar US$ 8 bilhões, ou seja, R$ 17,3 bilhões.

O anúncio não foi bem recebido pelo mercado. A ação da CSN foi a que mais caiu no pregão de ontem da Bovespa, tendo sido negociada com baixa de 4,25% (o Ibovespa subiu 0,3%). O motivo, segundo analistas consultados pela reportagem, é que a compra poderia deixar a CSN com pouca margem de manobra financeira, uma vez que teria de fazer um alto desembolso pela Corus.

“A CSN indicou que pretende utilizar parte de sua posição de caixa (de US$ 1,4 bilhão em 30 de setembro de 2006) e que não tem intenção de emitir ações para financiar a transação”, afirmou a Standard & Poors em relatório enviado a seus clientes. O restante do dinheiro para a compra, conforme a CSN, viria de um empréstimo de bancos como Barclays, Goldman Sachs e BNP Paribas.

“Em nenhum momento estamos achando que vamos expor a CSN a uma alavancagem elevada e desnecessária”, garantiu Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da empresa. Como argumento para a compra, os analistas vêem com bons olhos a ampliação do leque de clientes da CSN, “na medida em que seriam estabelecidos novos mercados para o minério de ferro (proveniente da mina Casa de Pedra) e para os produtos siderúrgicos semi-elaborados da companhia”, como observou Bruno Rocha, da Tendências Consultoria.

Essa não é a primeira vez que a CSN pensa em se unir à Corus. Em 2002, a brasileira tentou uma fusão com a britânica. Não deu certo. Se a compra sair agora, significará a criação de outro gigante da siderurgia: seria criado um dos cinco maiores grupos siderúrgicos do mundo, com faturamento anual de US$ 25 bilhões.

Além disso, a operação CSN-Corus seria a segunda maior do gênero, ficando atrás somente da fusão entre a indiana Mittal e a européia Arcelor, anunciada neste ano e responsável pelo surgimento da maior siderúrgica do mundo. “Juntas, as empresas podem aumentar de tamanho e elevar muito a rentabilidade”, disse Steinbruch, que também é presidente do conselho administrativo da empresa.

Outras siderúrgicas estão de olho na Corus. A indiana Tata Steel apresentou, no mês passado, uma oferta de compra de 4,55 libras por ação, que obteve recomendação de “aceitação” do conselho de administração da Corus. O mercado não descarta que as empresas possam travar uma batalha pela aquisição da Corus, nem que outra companhia faça uma terceira oferta.

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