Surdo, repique, chacoalho, cavaco, tambor... O som da percussão começou tímido no Jardim Ouro Verde, periferia de Bauru, em 2002, e foi esquentando com o maracatu, o baião e o pedido alto da Bateria Jardim Ouro Verde. Amanhã, esses músicos puxam o samba no 1.º Festival Ouro Verde 100% Arte com 12 horas dedicados à cultura popular de Bauru.
No comando dos instrumentos, aproximadamente 20 pessoas, entre homens e mulheres de 4 a 33 anos, passarão pelas ruas do bairro, convidando a comunidade para o início das festividades. Um evento que mudará a rota da cultura, levando a arte para a periferia com apresentações de música, teatro, dança; exposição de produtos artesanais; oficinas de artes e ações de cidadania com orientações sobre saúde bucal e prevenção de doenças.
“Os principais objetivos do festival são integrar os bairros, descentralizar a cultura, divulgar trabalhos novos e autorais de grupos locais e aproximar os universitários da comunidade bauruense”, pontua o produtor executivo do festival, José Ramos, também presidente da Sociedade Amigos da Cultura (SAC), entidade proponente do projeto Núcleo de Percussão Ouro Verde 100% Arte.
E é com o calor deixado pela bateria que sobem ao caminhão-palco o grupo de dança Street Power Dance, a Cia. Dramas e Folias com a peça “Mistério da Estrela Guia”, a banda Sem Mancada, os violeiros Wagner e Marsal, a cantora Ana Person, o grupo de hip hop Guerreiros da Favela, as bandas Bonequinho e Serotonina e Música de Metro e a Bateria do Jardim Ouro Verde, fechando com chave de ouro.
Durante o dia, estudantes de rádio e TV da Universidade Estadual Paulista (Unesp) farão registros visuais, fotográficos e sonoros para trabalhos de conclusão de curso que serão posteriormente destinados à comunidade, para a criação de uma identidade cultural. “A idéia também é disponibilizar este material no site do festival, porque esses projetos precisam ser disseminados para inspirar outras comunidades”, diz Ramos.
Mutirão
Para levantar um festival como esse - praticamente sem patrocínio - foi preciso muita mão-de-obra. Conversas aqui e contatos ali formaram um time eclético, com pessoas de diversas áreas e idades e, principalmente, com vontade de fazer acontecer.
“Somos em cerca de 20 organizadores entre membros da SAC, da comunidade e estudantes da Unesp. Todas os artistas também aceitaram se apresentar de graça. O tempo foi curto para a captação de recursos, o que não deve acontecer no ano que vem”, salienta Ramos.
Pela sua fala, tudo indica que mais festivais virão, quem sabe ainda mais longos. “Queremos que seja um evento anual com dois dias de duração. Até lá, teremos mais tempo para captar recursos junto ao empresariado sem depender do Poder Público, afinal idéias boas precisam persistir”, diz o produtor.
O festival deste ano é uma realização da Associação de Moradores do Ouro Verde, de integrantes da Bateria, da SAC e de estudantes universitários. O evento conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Gilar, Ortodiagnosis Radiologia Odontológica, Jornal da Cidade, Nossa Segurança e Vigilância Ltda. e Tebas Restaurante.
• Serviço
1.º Festival Cultural Ouro Verde amanhã, a partir das 9h30, na Chácara Recanto Verde (quadra 1 da rua Zenzo Kikuti). Todas as atividades são gratuitas. Mais informações: www.festivalouroverde.com.br
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Ouro Verde 100% Arte
Das páginas policiais para as páginas de cultura. Esta foi a maior conquista dos membros do projeto Núcleo de Percussão Ouro Verde 100% Arte apontada pelo vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro e também membro da bateria, Gilberto Cabral de Melo, o Negão. “O bairro tinha uma imagem violenta e de quatro anos para cá, quando começou o projeto, passamos a ser uma referência em cultura”, orgulha-se.
O projeto começou em 2002 depois que membros da SAC fizeram um levantamento dos bairros com centros comunitários desativados. Desta forma eles chegaram ao Jardim Ouro Verde com a idéia de revitalizar o espaço. “Com oficinas de estamparia, percussão, construção de instrumentos e malabares, fomos capacitando agentes multiplicadores e levantando a auto-estima da comunidade”, diz Negão.
Em 2005, o projeto, enviado pela SAC, foi selecionado pelo edital municipal para a Lei de Estímulo à Cultura. O Núcleo de Percussão Ouro Verde 100% Arte foi contemplado com R$ 20 mil, mas a primeira parcela da verba foi liberada há poucos meses. “Com o recurso estamos fazendo adequações no Centro Comunitário para os ensaios da bateria, remunerando o professor Daniel Pereira e ainda pretendemos comprar novos instrumentos”, diz.