Embora não seja disciplina obrigatória, o amor de escola faz parte do currículo afetivo de quase todas as pessoas. Afinal, quem nunca gostou de um colega de sala ou teve uma paixão platônica por alguém do mesmo colégio? Em muitos casos, inclusive, a paquera dá certo e se transforma em namoro. Foi o que aconteceu com Rafael Maurício Almeida e Larissa Cardoso Silva, ambos com 14 anos e alunos da 8.ª série da escola estadual “Mercedes Paes Bueno”, em Bauru.
Eles estudam na mesma classe, ambiente onde a paixão começou. Depois de muitos sorrisos e troca de olhares, os dois “ficaram”, conta o adolescente. “Isto aconteceu há sete meses. E de lá para cá estamos ‘ficando’.” Os colegas da escola já consideram Rafael e Larissa como namorados. O casal não discorda e revela que “só está faltando um comunicar oficialmente ao outro”. “Nossa convivência é boa e está dando certo”, diz a garota.
O único probleminha, diz Rafael, é não poder beijar dentro do colégio. “Uma vez a diretora me chamou para conversar e pediu para que não exagerássemos, já que estávamos no ambiente escolar”, diz. Mas o casal encontrou outras soluções para namorar. “Eu e o Rafael sentamos em carteiras próximas na sala de aula. E aproveitamos o intervalo e horário de entrada e saída das aulas para conversar, dar risada e ficar juntos”, diz Larissa.
Jean Victor de Oliveira Rodrigues, 13 anos, e Letícia Oliveira da Silva, 14 anos, alunos da 7.ª série do “Mercedes Paes Bueno”, estão juntos há um mês. Assim como Rafael e Larissa, o casal conta com o recreio e o tempo livre para namorar. Dentro da sala, nem pensar, diz a menina. “É preciso ter respeito. Nem sentamos perto. A carteira dele fica de um lado, e a minha, do outro lado da classe.”
Em diversos casos, a sala de aula se torna o cenário ideal para a experiência do primeiro amor, caso de Jean e Letícia. Seja pela convivência ou gostos em comum, o fato é que o ambiente escolar pode facilitar a aproximação dos alunos. “Eu nunca havia namorado. Conheci o Jean este ano e, antes das férias de julho, nós ficamos mais próximos. Perguntei se ele gostava de mim e ele respondeu que sim”, conta ela. O primeiro beijo aconteceu no colégio, revela o garoto. “Mas agora só andamos de mãos dadas. E nos beijamos fora da escola”, conta.
Os adolescentes Guilherme Nóbrega Costa, 14 anos, e Thaís Berro Pompeo Fraga, 15 anos, da 8.ª série do colégio “São José”, em Bauru, também se conheceram no ambiente escolar. “Nos vimos pela primeira vez ano passado. Ficamos amigos e da amizade, virou namoro”, diz ela. “Estamos juntos há duas semanas”, complementa ele. Os dois estudam em classes separadas e aproveitam para se encontrar no intervalo e saída da escola. Evitam, porém, ficar muito “grudados” e costumam curtir as horas livres junto com outros amigos . “Andamos de mãos dadas só de vez em quando. Existe hora para tudo, para namorar e estudar”, diz Thaís. Ela conta que sempre que podem, os dois se encontram fora do colégio, em festinhas ou encontros com a turma.
É consenso entre muitas instituições de ensino que os adolescentes estão cada vez mais precoces e, justamente por isto, as paqueras e namoros nesta faixa etária são comuns. Mas nem por isto, as escolas deixam de estabelecer algumas regras de conduta aos estudantes. No São José, por exemplo, a direção recomenda que os casais tenham bom-senso e procurem não se isolar dos outros colegas, aponta o coordenador pedagógico Valter dos Santos Xavier. “Os alunos estão no ambiente escolar para aprender, se socializar e fazer novos amigos. E se os namorados ficarem muito tempo juntos, nos cantos, podem se separar dos outros e ficar de fora da ‘rodinha’,”
Segundo Valter, o colégio não é contra o namoro, mas pede para que os alunos não extrapolem nas demonstrações de carinho. “Dentro da escola, não é permitido beijar ou andar muito ‘grudadinhos’. Isto não significa que o casal não pode ficar junto e ter um bom relacionamento; o que não pode é segregar e ficar fora do grupo de amigos”, reforça.
O coordenador explica que em se tratando de namoro no colégio, a melhor “tática” é se aproximar dos adolescentes e orientá-los. “Quando percebemos a existência de um relacionamento, chamamos os dois para conversar e estimulamos uma reflexão em relação ao ambiente escolar e sobre os momentos em que eles podem e não devem namorar. Não adianta proibir, principalmente na fase da adolescência”, observa.
Elisabete Davies, coordenadora pedagógica do “Mercedes Paes Bueno”, concorda com Valter. Segundo ela, a instituição não possui regras específicas relacionadas ao namoro. A escola aposta no diálogo e atendimento individual para orientar os alunos em relação aos amores de colégio. “Na educação, o que funciona é a conversa franca e a argumentação, porque gritar e dar broncas não resolve. E desta forma, o adolescente pode até se revoltar contra o professor e a direção.” Assim como no São José, a escola não proíbe o namoro, mas pede bom senso e respeito por parte dos estudantes. Isto inclui não beijar ou demonstrar afeto de forma exagerada.