Jeitoso com os traços, desde muito jovem Nicolielo registrava sua visão cotidiana sagaz, lúdica e bem humorada. Com o estilo típico dos incisivos espectadores da vida, o chargista e artista plástico inunda suas telas de um sentimento tão bom, que faz repensar a forma dura e imediatista como recorrentemente encaramos o cotidiano.
Tendo começado sua carreira como chargista no Jornal da Cidade, ele retorna à Capital paulista com uma nova exposição de trabalhos, que será aberta amanhã, às 19h, na Marcelo Neves Galeria (Espaço Básico do Shopping Villa Lobos). A mostra pode ser conferida até o dia 5 de dezembro.
Suas linhas e suas cores conseguem provar que há ternura por trás de atitudes prosaicas. Para ele, o instante dura o tempo necessário para ser percebido; talvez até um pouco mais, o que o permite enxergar muito além da míope capacidade geral de perceber.
Quando fala de seu trabalho, Nicolielo cita Nietzsche ao dizer que “a arte é um consolo metafísico para a existência. Ela é a grande possibilitadora da vida, da vitória do homem sobre a crueldade do mundo”. Como bom estimulante, a arte de Nicolielo é isso: dá uma segunda chance de entender que a vida é mais do que o segundo que se encerra; que ela cabe inteira dentro de quem a olha e pode ser revisitada em seus bons momentos sempre que é preciso compor uma forma mais doce de enxergá-la.
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Sobre o artista
Antônio Carlos Nicolielo nasceu na cidade de Nova Europa (SP), em 1948, e hoje mora em Três Rios (MS). Começou sua atividade profissional em Bauru onde foi chargista político dos jornais “Folha do Povo”, “Jornal da Cidade” e “Diário de Bauru”.
Em 1970, foi para São Paulo, contratado como chargista político dos jornais “Diário de São Paulo” e “Diário da Noite”. Foi ilustrador e capista da revista “Visão”, ao mesmo tempo em que ilustrava “Status” e “Viaje Bem”.
Foi premiado na Bulgária e escolhido, em 1985, por uma comissão editorial européia, como um dos mais importantes caricaturistas do mundo, juntamente com Millôr Fernandes. Foi chargista e ilustrador da “Folha de S. Paulo” e “Folha da Tarde” de 1985 à 1992.
Tem obras no Museum of History em Bonn, Alemanha; House of Humor de Gabrovo, Bulgária; Museum of American Life - Hartford, Estados Unidos; Museum of Cairo - Egito; Museo do Humor de Galícia - Espanha. No ano passado, expôs seus trabalhos na Galeria Lafayette, em Paris, durante o “Ano Brasileiro na França”.
Atualmente, é artista contratado do “Cartoonist & Writers Syndicate” e “New York Times Syndicate”, que distribuem seus trabalhos para mais de 150 jornais no mundo todo. É também colaborador do jornal “The New York Times”.