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Emoção à flor da pele

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma ave conhecida por entregar correspondências está sendo usada por uma empresa funerária de Lençóis Paulista para cerimônias de sepultamentos. O pombo-correio branco, símbolo da paz, condicionado faz uma revoada sobre o cemitério no momento em o caixão é baixado na cova. Em seu vôo, a ave forma figuras geométricas e, com um assovio, retorna ao seu habitat. O condicionamento é feito desde o nascimento para que em sua fase adulta a ave atinja o seu auge, voar até 900 quilômetros por dia.

O condicionamento do pombo-correio não é tarefa difícil, diz o proprietário do cemitério Paraíso da Colina, Antonio Carlos Angélico. “Toda pessoa é capaz de fazer. Basta ter paciência. O condicionamento é feito desde o nascimento, porque a ave é capaz de voar com 28 dias de vida.”

Os pombos são condicionados através da alimentação, água e apito. Os três itens acrescidos de uma dose de paciência resultam no condicionamento da ave, que voa em média a 100 km/h.

O condicionamento começa a partir do nascimento, quando a ave é levada para fora do viveiro. “O condicionamento é feito no dia-a-dia. Eu comecei colocando as aves a uma pequena distância do viveiro e fui aumentando a distância gradativamente. Ele volta para seu habit porque tem alimentação e água.”

O apito é utilizado como um sinal do proprietário para chamar a ave para comer. “O pombo-correio capta porque tem o ouvido muito sensível e associa o som ao alimento. Entra novamente no viveiro. A porta de entrada exige um mergulho dele. Quando ele entra não sai mais.”

Em três meses de condicionamento, Angélico já conquistou a confiança dos pombos-correio. Atualmente, ele pode soltar os pombos na cidade de Macatuba, a cerca de 13 quilômetros que eles retornam para o cemitério em Lençóis Paulista. O condicionamento é feito de duas a três vezes por semana.

A história do empresário do setor funerário com as aves começou em agosto deste ano quando ele decidiu condicionar pombos correios para usá-los na cerimônia de sepultamento. Para começar a empreitada, Angélico adquiriu seis casais de pombos. Hoje, tem 48.

Os casais que serviram de matrizes serão libertados assim que o empresário atingir sua meta, que é de 128 casais.

“Radar”

O pombo-correio tem uma espécie de radar que direciona o seu vôo. Além de uma visão de 360 graus que o habilita para vários tipos de serviços dentre eles achar náufragos. Nas guerras, foi usado para levar mensagens. Mais recentemente, são usados para transportar exames laboratoriais, na França e na Inglaterra, em situações de emergências.

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Garantia de vida

Para criar pombos-correio é necessário rigor na higiene. Eles transmitem doenças a outras aves, por isso necessitam de vacinas e os viveiros precisam ser preparados de maneira que a ave não pise em suas próprias fezes.

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