Bairros

Cidade tem 260 praças esperando por adoção

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Falar sobre as mazelas existentes nas praças de Bauru não representa grande novidade para a população em geral: afinal, todo mundo conhece bem o estado de penúria em que se encontram as áreas verdes da cidade e os poucos recursos que a prefeitura dispõe para administrá-las. O que muitos não sabem, porém, é que a situação poderia ser diferente. Uma lei (5.385, de 2 de agosto de 2006) já em vigor prevê a adoção de espaços públicos por cidadãos.

O problema é que, por enquanto, poucos demonstraram interesse em aderir projeto. Não por acaso, atualmente apenas 15, das 275 praças existentes em Bauru, constam como oficialmente adotadas nos cadastros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). As causas para o baixo interesse são várias: recente, a possibilidade de adoção foi pouco divulgada pelos meios de comunicação; além disso, os gastos para quem adere ao programa são altos.

Via de regra, quem adota um espaço público fica responsável por praticamente todos os custos de manutenção do local, exceto iluminação pública, que é paga pela prefeitura. Em troca, o “adotante” recebe o direito de fixar placas de propaganda institucional no lugar. A idéia é baseada em modelos semelhantes existentes em cidades de Santa Catarina, como Florianópolis, Joinville e Blumenau.

A Escola “Guedes de Azevedo”, por exemplo, é responsável pela Praça da Copaíba, situada na altura das quadras 18 e 19 da avenida Getúlio Vargas, zona sul de Bauru. Para dotar o lugar de infra-estrutura básica (flores, calçadas, grama e placas de publicidade), a instituição de ensino gastou cerca de R$ 20 mil, arrecadados com empresas da cidade.

Para completar o projeto de urbanização da área - com instalação de sistema de irrigação, lixeiras, bancos e aparelhos para ginástica -, diretores da escola avaliam que seriam necessários mais R$ 25 mil. Enquanto não conseguem levantar a quantia, os responsáveis pela praça ainda têm de conviver com ação constante de vândalos que freqüentam o local.

A Praça da Copaíba é usada como ponto de encontro pelos jovens nos finais de semana. Nas manhãs de sábado, domingo e segunda-feira, é fácil encontrar copos usados, latas vazias e cacos de vidros espalhados pelo chão do lugar. O gramado costuma ser usado por garotos da redondeza como pista para manobras com bicicletas, e por isso está bastante danificado. Nem as placas com propaganda institucional escaparam: uma parte foi depredada, enquanto outra foi simplesmente arrancada.

Falando assim, pode parecer que a adoção de praças é uma idéia fadada ao fracasso. Muito pelo contrário: mesmo enfrentando tantas carências, a Praça da Copaíba está longe de figurar entre as mais degradadas de Bauru. Não muito distante dali, a Praça Portugal é outro exemplo de descuido.

Com o chão repleto de lixo (garrafas, copos plásticos e papéis velhos), o local quase nunca é visitado por agentes de limpeza pública. A infra-estrutura também é precária: as calçadas estão avariadas, repletas de buracos; os bancos sujos, cobertos de musgo seco; a vegetação rala e mal cuidada, com árvores podadas de maneira incorreta e mato crescendo por todos os lados.

Mas a situação do lugar pode estar prestes a mudar. Na última semana, três empresas da cidade adotaram oficialmente a área (considerada um dos cartões postais de Bauru). Se tudo correr como o esperado, o local será recuperado, escapando assim do trágico destino de abandono a que parecem estar condenadas muitas praças da cidade.

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