Bairros

Adoções informais são salvação nos bairros periféricos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

As praças de periferia ocupam o último lugar na fila da adoção. Para sanar a carência de cuidados, moradores esforçam-se para garantir que os locais não se percam no abandono. O aposentado Celso Quijadas Haro, 76 anos, é benfeitor da Praça Carlos Cariani, no Parque União, há mais de duas décadas. “Quando vim morar aqui, há 30 anos, o que existia era um descampado. Nem calçada havia. Certo dia, meu irmão (o militar falecido Gérson Quijadas Haro) chegou para mim e propôs: ‘Que tal se a gente cuidasse deste lugar?’. Começamos a fazer benfeitorias, plantar árvores e não paramos mais”, conta ele.

Com o passar o tempo, praça foi ganhando cara nova com a melhorias feitas pelos irmãos: bancos, calçadas, mesas. Haro passou contar com apoio de vizinhos, e hoje em dia a Carlos Cariani destoa da imagem de degradação existente na no restante da cidade.

“Essas ‘manilhas’”, diz ele, apontando grandes tubos de concreto que servem de suporte para as mesas do local, “fomos eu e uns garotos da região que trouxemos rolando até aqui”, orgulha-se. Além de obras de melhoria, Haro também cuida da manutenção da praça.

Todos os dias, ele varre as calçadas, poda as árvores, molha as flores, arranca o mato... “Esperar pela prefeitura não adianta. É difícil alguém aparecer aqui para tomar conta. O jeito, então, é gente mesmo cuidar”, diz.

O trabalho feito por aposentado tem sido tão bem-sucedido que lugar converteu-se em ponto de encontro para os moradores da região. Todas as tardes, é comum encontrar pessoas de diferentes idades utilizando a área como espaço de lazer. Na última segunda-feira, por exemplo, Haro participava de uma animada partida de truco, ao lado do porteiro Oplídio Caldurini, da metalúrgica Ronilde Rodrigues e do aposentado Laércio Ferreira de Souza.

A única queixa que Haro tem é em relação aos vândalos que costumam freqüentar o local. “A gente pinta, limpa, conserva, mas depois os pichadores vêm e estragam todo nosso trabalho”, lamenta ele.

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