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Aceitar a doença é o primeiro passo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Para se ver livre do alcoolismo, a primeira coisa que a pessoa precisa fazer é aceitar sua condição de dependente químico. A cura passa necessariamente por esse reconhecimento. Segundo lembra a enfermeira Luciana de Oliveira Martins, do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) de Bauru, a bebida é uma das piores drogas que existem atualmente. Para enfrentá-la é preciso muita determinação e persistência.

De acordo com Luciana, apenas uma minoria daqueles que procuram ajuda no Caps-AD vai até o fim. No grupo de Alcoólicos Anônimos (AA), a porcentagem também é baixa. Um dos que conseguiram essa façanha foi Gláuber, que pediu para não ter seu nome completo divulgado. Após 35 anos de muita bebedeira, ele decidiu buscar ajuda no AA e hoje está há três anos sem pôr uma gota de álcool na boca.

Ele conta que, no início, assim como acontece com outras pessoas, bebia apenas “socialmente”. O hábito começou na adolescência e se agravou quando tinha cerca de 20 anos. “Foi aí que descobri que estava doente”, relembra. Na época, Gláuber fazia faculdade, um dos momentos em que os jovens são mais expostos ao consumo de bebida alcoólica. “Se eu pudesse voltar o filme da minha vida, tinha parado na época da faculdade”, conta.

Segundo ele, o alcoolismo é uma doença que, se não for devidamente tratada, pode levar à morte, à loucura ou à cadeia. Não é hereditário, mas o ambiente onde a pessoa vive influencia diretamente.

De acordo com Gláuber, quem sofre com a dependência alcoólica não tem a mínima condição de beber “socialmente”. A abstinência tem de ser total, senão o vício nunca será controlado. Não há cura para o alcoolismo. Para se ter uma idéia dos cuidados que precisam ser tomados para evita uma recaída, Gláuber explica que, além da bebida, os ex-alcoolistas têm de manter distância de outros produto como vinagre e algumas marcas de anti-séptico bucal, por causa do teor de álcool que existe na composição.

“Eu mesmo gostaria muito de tomar uma taça de vinho, mas não posso. Então, eu tomo suco de uva” conta. Segundo ele, é quase impossível superar o vício sozinho. A recomendação é procurar ajuda nos grupos de apoio. O contato com outras pessoas que estão na mesma situação é de fundamental importância durante o tratamento.

Mas o mais importante, ressalta Gláuber, é a pessoa ser sincera com ela mesma e encarar o problema de frente. Na parede da sede do AA, no Centro da cidade, existe um quadro com a frase “A recuperação é a capacidade de ser honesto consigo mesmo”.

No AA, as reuniões são diárias, das 19h às 22h. No Caps-AD, mantido pela prefeitura, o tratamento dura em média de sete a nove meses. Na fase inicial do tratamento, os encontros também são diários. Depois de um tempo, passa, a ser semanais. Na fase final, as reuniões são quinzenais ou mensais.

Durante o tratamento, o dependente é assistido por uma equipe multidisciplinar, que reúne psicólogo, psiquiatra, enfermeira e assistente social, entre outros profissionais. Segundo a enfermeira Luciana, a participação da família é indispensável para o sucesso do tratamento. “A família é a base do trabalho de reinserção social, familiar e profissional do dependente”, afirma.

Tanto no Caps-AD quanto no AA, o tratamento é totalmente gratuito. O Grupo Alcoólicos Anônimos de Bauru fica na rua Bandeirantes 12-43. O telefone é (14) 3234-0250. O Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) fica na rua Cussy Júnior 12-27 – telefone (14) 3227-3287.

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