Geral

‘Não me acostumei com isso ainda’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A vida ficou menos alegre para Elaine (nome fictício), 34 anos, há seis meses. Foi quando ela descobriu que é portadora do vírus HIV. Ainda hoje chora ao lembrar-se de quando recebeu a informação.

Ela conta que antes de saber da contaminação, havia namorado um rapaz viciado em entorpecentes e que usava drogas injetáveis. Quando terminou o relacionamento com ele, Elaine ficou preocupada com sua saúde e fez exames para saber se estava tudo em ordem. “Isso foi no dia 15 de novembro do ano passado”, recorda ela com exatidão. Os resultados deram negativo. Ou seja, ela estava livre do vírus.

Em abril deste ano, ela conheceu “um outro cara” que, segundo amigos, tinha “ficado” com uma garota que tinha o vírus. Mas quando Elaine ficou sabendo disso, já era tarde. Ela pediu para o namorado fazer o exame e quando ele retornou com o resultado, a notícia não foi nada boa.

Ao saber da contaminação do namorado, Elaine voltou ao laboratório e fez novo exame. Dessa vez, o resultado não foi o mesmo de novembro. “Ele (namorado) chegou para mim e chorou, pediu desculpas, disse que jamais queria que acontecesse isso comigo”, recorda.

Até hoje, ela ainda não aceita que esteja com o vírus. Além dela, ninguém da família sabe da contaminação. Elaine continua com o namorado - há três meses eles estão morando juntos. O rapaz está desempregado, foi mandado embora do serviço assim que a empresa ficou sabendo que era portador do vírus HIV.

Elaine também deixou o serviço e hoje se empenha no tratamento com o coquetel anti-aids. Por não ter uma geladeira em casa, ela diz que teve de abrir mão de um medicamento gelatinoso que estava dando certo mas precisava ser conservado sob refrigeração.

Ela toma quatro comprimidos todos os dias. Ou quase todos os dias. “Às vezes eu não tomo, porque me dá uma depressão, fico meio caída. Não acostumei com isso ainda”, diz ela, sem conseguir conter as lágrimas.

Comentários

Comentários