Altemir Pereira Braga, 37 anos, descobriu que estava infectado com o vírus da aids quando sofreu um convulsão há cerca de seis anos. Ele trabalhava como caseiro em um sítio no bairro rural de Rio Verde, em Bauru.
Braga foi internado no Hospital de Base, onde teve nova convulsão. Em suas próprias palavras, depois disso ele “apagou” e ficou 22 dias em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Quando recuperou a consciência, ele foi procurado por uma médica para receber a notícia de que o exame de sangue havia apontado que ele era soropositivo.
Foram feitos novos exames e o resultado foi confirmado. “De lá para cá... fazer o que, né?”, hesita Braga, sem conseguir completar a frase. “É duro falar.” Ele deixou o emprego de caseiro e mudou-se para a Casa Abrigo da Sociedade de Apoio a Pessoa com Aids de Bauru (Sapab).
Braga lembra que antes de saber que era portador do vírus HIV, bebia uma garrafa de pinga por dia. Ao invés de se afundar ainda mais no vício, como acontece em muitos casos, Braga parou de beber. “Quando a doutora falou para eu parar imediatamente com a bebida ou então eu morreria dentro de um ano, eu decidi parar, porque eu quero mais é viver”, diz ele. “Graças a Deus, esse mal eu cortei pela raiz”, afirma contente.
No mesmo momento que parou de beber, Braga iniciou o tratamento com o coquetel anti-retroviral (ou anti-aids) e continua até hoje. “Nunca senti nenhum sintoma da aids. Minha saúde está perfeita”, comemora. “Nunca vou me conformar com a doença, mas a gente acaba aceitando porque tem de aceitar”, fala.
Braga conta que nunca usou drogas injetáveis. Por isso, tem certeza de como foi contaminado. “Só pode ter sido por meio do sexo (sem proteção)”, afirma.