Nos últimos sete anos, a cesta básica em Bauru cresceu num ritmo bem mais lento do que a inflação. O índice de reajuste da cesta não chega nem à metade da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe nesse período. Enquanto o acumulado da inflação chegou a 60,3%, o reajuste da cesta básica em Bauru não ultrapassou 28,9%.
A diferença fica ainda maior se a comparação for feita com a variação que houve no valor da cesta básica na cidade de São Paulo. Lá, o índice ultrapassou a inflação em quase 10%. Outro dado que surpreende é que em julho de 1999, a cesta básica de São Paulo era mais barata do que a de Bauru.
Estas informações fazem parte de um levantamento realizado pelo Data-ITE a pedido do Jornal da Cidade. Para o economista Reinado Cafeo, responsável pela análise, a concorrência entre os supermercados de Bauru é o principal motivo para o baixo crescimento no valor da cesta. Só neste ano, o valor mínimo da cesta em Bauru recuou 7,1%, segundo o Data-ITE.
Segundo Cafeo, houve um acirramento da concorrência supermercadista nos últimos anos com a chegada de grandes redes como o Wal-Mart, Pão de Açúcar e Paulistão, o crescimento da rede Confiança e o próprio fortalecimento dos supermercados de bairros. Isso segurou os preços dos produtos, com reflexos diretos no valor da cesta básica.
No entanto, essa concorrência normalmente não é sentida nos grandes centros urbanos, apesar da grande quantidade de supermercados que eles possuem. Neste caso, a concorrência acaba se restringido a determinadas regiões.
Uma tática bastante utilizada pelos supermercadistas para atrair consumidores é reduzir o preço dos produtos da cesta básica. Com isso, as lojas acabam recebendo um grande público que volta para casa não só com os produtos em oferta, mas também com outros que a loja oferece.
Segundo o economista, deve ser levado em conta também a crise que a agricultura vem enfrentando há dois anos. Hoje, a oferta de alimentos é maior do que a demanda e isso invariavelmente derruba o preço dos produtos. Cerca de 70% da cesta básica é composta por alimentos. O restante é preenchido por produtos de higiene pessoal e de limpeza.
Outro fator importante lembrado por Cafeo é a queda da carga tributária de alguns produtos da cesta básica. Há cerca de três anos, o governo do Estado vem promovendo uma desoneração do setor produtivo. Grande parte dos produtos da cesta teve redução do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) de 18% para 7%.
Na avaliação de Cafeo, esses foram os três fatores determinantes para um crescimento bem abaixo da inflação do valor da cesta básica em Bauru.
Outros aspectos também acabam influenciando, embora de uma forma mais discreta, segundo o economista. Ele apontou o valor do frete como um dos responsáveis pela diferença que há atualmente entre o preço da cesta em Bauru e em São Paulo.
Segundo ele, a Capital é reconhecidamente um grande polo consumidor mas não uma grande produtora de alimentos da cesta básica. O que normalmente ocorre é o transporte desses alimentos do Interior para a Capital e não o contrário.
Em julho de 1999, uma cesta básica custava R$ 133,44 em Bauru e R$ 121,63 na Capital. De acordo com o levantamento do Data-ITE, a situação começou a se inverter no fim de 2000. Em fevereiro e março de 2001, Bauru voltou a registrar preço mais alto do que em São Paulo, mas depois disso o valor na Capital disparou, enquanto em Bauru se manteve em um ritmo lento de crescimento.
A cesta em Bauru atingiu o pico em junho de 2004, quando chegou a custar R$ 202,71. Depois disso o preço foi caindo até chegar aos atuais R$ 172,04.
Cafeo diz que o Data-ITE escolheu o índice do IPC da Fipe como parâmetro da inflação por se tratar de uma medição que é feita no Estado de São Paulo. Portanto, mais próxima da realidade bauruense, enquanto o IPCA (índice oficial do governo federal) faz uma média bem mais ampla, que inclui todo o País.