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Conta de asfalto assusta moradores

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A aposentada Maria Marques Ferro mora sozinha com o filho. Ele tem sérios problemas de saúde e a única fonte de renda da casa é a aposentadoria dela, de um salário mínimo. No início do mês, ela quase não acreditou no valor de uma cobrança enviada pela prefeitura: R$ 1.004,08. O montante, explicam as informações no boleto, deve ser pago até 30 de novembro, sob o risco de ser cobrado em juízo. A cobrança é pelo asfalto feito em algumas quadras do bairro em 2004. Além de Maria, outros moradores mostraram suas contas à reportagem do JC.

Segundo Osvaldir Martins, presidente da Associação dos Moradores da Vila Rossi, Vila Celina, Vila São João e Parque Viaduto e do Conselho de Segurança Comunitária (Conseg) Norte-Nordeste, os boletos começaram a chegar no início do mês. “O problema começou há quatro anos, quando ninguém foi consultado sobre o asfalto. Depois chega uma conta dessas e quem tem dinheiro para pagar à vista?”, questiona.

Na manhã de ontem, os moradores se reuniram na rua Alexandre Fávero e protestaram com os boletos em mãos. Cláudio do Nascimento critica a cobrança. “Se a gente não pagar, a Justiça pode penhorar os nossos bens. Podem levar a nossa geladeira, fogão. E aí onde vamos cozinhar? No fogão do prefeito?”, protesta.

Maria Helena Macagnan levou o seu boleto de R$ 1.270,00 para ser avaliado por um advogado. “Eu não tenho condição de pagar . E já fui à prefeitura e me informaram que não podem parcelar esse valor”, conta.

Por ter apenas meio terreno, a cobrança feita a Cibele Ferreira Pereira foi de R$ 782,00. Apesar de ser um valor abaixo da média cobrada de seus vizinhos, ela explica que não tem condições financeiras de pagar o boleto à vista. Pereira conta que procurou a prefeitura para negociar a dívida e afirma que foi maltratada por um atendente. “O funcionário me disse que o único direito que eu tenho é pagar a conta e ficar quieta”, denuncia.

A ameaça de cobrança em juízo também preocupa os moradores. “Ninguém foi comunicado dessa cobrança. De repente, aparece uma conta desse tamanho, para pagar de uma vez. Ninguém foi notificado”, observa José Carlos Brás. Uma sugestão apresentado pelos moradores é que a obra seja cobrada como “asfalto comunitário”. “Vai ser um preço menor, mais justo. Não queremos a anistia da dívida, queremos um novo cálculo, um preço mais adequado”, sugere Afonso Tavares.

O único morador que conseguiu parcelar a dívida foi Benedito César da Costa Bezerra. Proprietário de dois imóveis no bairro, ele dividiu a cobrança de cerca de R$ 2 mil em 36 vezes. “É uma cobrança muito abusiva. Ainda mais depois de tantos remendos no asfalto”, conta. Martins explica que muitos ainda não regularizaram suas escrituras, motivo pelo qual não conseguem dividir o pagamento.

O dirigente conta que procurou o secretário de Finanças, Edmundo Albuquerque, para tratar do assunto, mas que não conseguiu encontrá-lo. “O asfalto está remendado. Faltam lombadas e bocas-de-lobo”, critica. “Mas os moradores querem pagar. Eles pagam todas as contas em dia, mas o valor que estão pedindo é muito alto. A periferia está sendo novamente sendo saqueada”, diz.

O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura e com o secretário Edmundo Albuquerque, mas até o fechamento da edição não havia conseguido falar com nenhum deles.

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