Internacional

Bala perdida pode ter matado o missionário brasileiro no Timor

Por Rosely Forganes | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Dili - O missionário evangélico brasileiro Edigard Brito morreu no anteontem em Dili, capital do Timor Leste, atingido por três tiros. Edigard, que está no Timor há cerca de três anos, estava com a irmã, a também missionária Elisama, voltando de um culto, de carro, junto com timorenses por volta das 18h (hora local) quando, próximo ao Hospital Guido Valladares, Edigard foi atingido por três balas, uma das quais no pescoço.

Tudo indica que os brasileiros não eram o alvo do tiroteio, apenas passaram por um local onde havia um conflito entre timorenses. Edigard o único a ser atingido e teve morte quase imediata. A irmã, Elisama e os timorenses que acompanhavam o jovem missionário o levaram até o Hospital Geral Guido Valladares, quase em frente ao local onde ele foi atingido, mas o hospital estava fechado.

Edigard foi levado até a clínica do Dr. Daniel Murphy, um médico americano que trabalha com voluntário no Timor desde 1998, mas não havia nada mais a ser feito. A Clínica do Dr. Daniel, a maior de todo o Timor, que atende em média 400 pacientes por dia quase não dispõe de equipamentos.

Aurélio Edigard Gonçalves de Brito, 32 anos, era originário de Belo Horizonte. Ele e a irmã Elisama faziam um trabalho social e humanitário junto à população mais carente do Timor. Nos últimos meses ele conseguiu um transplante de córnea para um jovem timorense, Loi, que sem essa intervenção teria ficado cego. A cirurgia estava para ser realizada em Darwin na Austrália.

Edigard é único brasileiro a morrer no Timor Leste o primeiro estrangeiro desde o início da crise político-militar que abala o país desde o mes de abril. A casa de Edigard já tinha sido atacada no dia 26 de maio e sua moto roubada.

A pequena comunidade brasileira de Dili está consternada e em estado de choque. A população brasileira no Timor costumava ser de cerca de 200 pessoas, número que foi reduzido com a saída do Exército Brasileiro, um contingente fixo de 50 militares em 2004. A maior parte é constituída de missionários, católicos e evangélicos. Estes últimos representam a maioria, com cerca de 50 pessoas, conforme a época.

Comentários

Comentários